domingo, 19 de junho de 2011
Ilha do Mel
Estive lá fora de temporada e o lugar estava praticamente deserto. Haviam apenas dois casais além de nós na pousada, e estava tudo muito sossegado. Não fizemos reserva para chegar lá e conseguir melhor preço, assim como já havia ocorrido no dia anterior em Morretes e que deu muito certo. No caso da ilha, fechamos a diária por R$20 a menos e ainda em um quarto superior ao que estávamos negociando pelo telefone. Com isso ficamos mais bem instalados e ainda economizamos R$200 (10 diárias).
Quem vai para a Ilha do mel tem como opção para hospedagem as vilas das praias de Encantadas, Farol/Brasilia e Fortaleza, que ficam respectivamente no sul, centro e norte da ilha. Escolhemos ficar no Farol devido a localização mais central, que nos permitiria explorar toda a ilha durante os nossos dez dias por lá sem ter de ficar atravessando toda a ilha. Apesar de várias pousadas terem ficado fechadas durante os dias de semana, o supermercado, posto de saúde e dois ou três restaurantes mantiveram as portas abertas, mantendo um minimo de estrutura. Já as barracas de artesanato, camisas e presentes desapareciam de segunda a sexta-feira.
Tivemos muitos dias nublados, ruins para a praia e excelentes para as caminhadas. Até o farol a caminhada era muito curta, um quilometro talvez, com opção de fazer o caminho pelas trilhas internas da ilha ou pela praia. A subida até o pico do morro (base do farol) é fácil, pois toda a parte ingreme do caminho é calçada e com degraus. Mas para subir e ver o pôr do sol nessa época vale investir em um repelente ou subir de calça, porque neste horário os pernilongos atacam sem dó.
Visitar o farol não toma tempo nenhum e pode ser feito em um fim de tarde na boa, para quem está por ali. A praia do Farol é excelente para passar o dia. Tranquila, com maré mansa e muito legal. Como companhia, só as gaivotas e bem de vez em quando um ou outro casal. Para quem vai para surfar a praia de fora, do outro lado do morro do farol, tem mar mais agitado e os surfistas estão sempre por lá.
Um outro programa tranquilo de fazer a partir da vila do Farol/Brasilia é visitar a fortaleza. Para chegar lá basta seguir a praia na direção oposta a do Farol. A partir do istmo e do trapiche de Brasilia a distância é de uns dois quilometros pela praia, com opção de utilizar a trilha por dentro da ilha (que estava fechada com muitos alagamentos e pernilongos atacando em qualquer horário). É muito tranquilo o caminho pela praia e é melhor passar mesmo por lá. Se o dia estiver claro você verá a fortaleza a uma certa distância, muito bonita. Um pouco antes de chegar você encontrará algumas pousadas e um hotel na beira da praia, este com um barco / bar para uma cerveja ou suco. Do bar até a fortaleza são mais cinco minutos. Porém este trecho final tem um caminho mais estreito pela areia, sendo ideal atravessar de manhã para não passar alguma dificuldade com a maré alta. Mas não se assustem, não é nada muito difícil.
Dentro da fortaleza você terá uma boa vista do local e poderá conhecer os postos de vigia no muro, os canhões que ainda estão por lá e algumas fotos de época. O lugar está todo conservado e vale fácil a visita, que é grátis. Qualquer dúvida pergunte ao guarda que está sempre por lá. Existe uma trilha que leva a um "posto avançado" da fortaleza bem mais alto. Suba. Além de outros canhões e instalações abandonadas existe um mirante. Caso não encontre o inicio da trilha pergunte também ao guarda, e encare essa subida que a vista é espetacular.
Dica de ouro: Se você não é um turista daqueles que só bate fotos onde todo mundo já bateu e vai embora, pode seguir após a fortaleza pela praia em direção a reserva da ilha. Siga até o momento em que a fortaleza não estiver mais a vista (cerca de 2km). Quando chegar a este lugar, observe atentamente o mar e se estiver com sorte poderá ver alguns golfinhos passando. Esta dica consegui com um morador extremamente gente boa que tomou café conosco. Portanto, não deixe de conversar com os moradores da ilha, aproveitar melhor sua viagem e postar a sua dica aqui no blog depois, ok? E não se esqueça de que este local (para ver os golfinhos) faz parte da reserva da ilha, então não vá arrancar plantas, e deixar lixo por lá (e nem em qualquer outro lugar). Leve apenas fotos e recordações.
A praia do farol foi onde mais ficamos deixando o tempo passar nos dias de sol. Conversando, nadando, vendo os carangueijos e as gaivotas a poucos metros de nós. E depois de tudo isso comendo um peixe a poucos metros dali, na própria vila do farol.
Para sair do Farol para Encantadas também é tranquilo, as caminhadas são feitas quase que integralmente pelas praias, com pequenas travessias de pedras entre algumas delas. Apenas na travessia da praia do Miguel existe alguma dificuldade, se a maré estiver alta. Então, se possível, atravesse este ponto mais cedo, para facilitar. Uma idéia é sair cedo e ir passando pelas praias no caminho. Para voltar, duas opções: caminhando ou de barco, que tem preços razoáveis.
A grande jogada de viajar para a Ilha do Mel na época que fomos (maio) é a tranquilidade do lugar, com praias inteiras exclusivas. Foi muito bom para relaxar e aproveitar o isolamento. Tivemos aproximadamente metade dos dias de chuva, mas mesmo assim a viagem valeu muito a pena. Lembrando ainda que toda ilha tem duas grandes vantagens: (1) Não tem como nenhum infeliz ligar o som do carro na maior altura na beira da praia e tirar o seu sossego. (2) Uma boa trilha acaba com a farofa.
Serviços
- Almoçamos muitos dias no restaurante do Davi, tinha sempre uma promoção de prato com peixe por lá a bons preços. Funciona a semana inteira. A decoração é meio esquisita, mas a comida é boa.
- Para artesanato procure a barraca do caco. Ele faz blusas com desenhos muito doidos feitos por ele. Viagem mesmo. Aproveite para comprar incenso de citronela (afasta pernilongo) se estiver indo no meio do ano.
- Para quem planeja sair de barco de Paranaguá e está indo fora de época, recomendo confirmar os horários, pois as saídas ocorrem com menor frequencia. O melhor mesmo é pegar o barco em Pontal do Sul.
OBS: Leia o artigo de Morretes aqui no blog. Conhecemos Morretes na mesma viagem, e é um lugar legal para se passar uma noite (após o passeio de trem ou van que parte de Curitiba e desce a serra da Graciosa) e no dia seguinte seguir para a ilha.
Beijos e abraços
Thiago Rulius
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Sabará

Das cidades históricas mineiras, Sabará é a mais próxima de Belo Horizonte. São apenas 23 km, o que não dá nem para chamar de viagem. Um dia inteiro por lá já é suficiente para conhecer o teatro, museu e duas ou três igrejas, aproveitando para almoçar no centro (almoce de 12:00 as 13:00, quando a maioria das igrejas e o teatro fecham). Para quem quer ver tudo com mais detalhes, basta acrescentar mais um dia e terá tempo suficiente.
Na chegada à cidade, cerca de 1km antes da chegada ao centro, está o posto de informações turísticas de Sabará (no canteiro central da MG). Não tem muita estrutura, mas o pessoal foi muito atencioso e nos forneceu informações sobre as atrações turísticas principais e seus horários de funcionamento. Recebemos um mapa muito fraco, mas que de qualquer maneira já ajuda. O centro histórico é pequeno, mas algumas das ruas têm casario bem conservado que fazem valer uma caminhada despreocupada. Você certamente vai passar por alguma igreja, chafariz ou capela.
Visitamos duas igrejas (Senhora do Ó e de Nossa Senhora do Carmo). A primeira é pequena e está mais distante do centro, mas vale conhecer; Tem o altar todo entalhado, e as paredes são forradas por pinturas antigas. Já a igreja de Nossa Senhora do Carmo é bem maior, mas não tem a mesma beleza ou aconchego da primeira. Tem alguns detalhes bonitos mas é muito mais pobre em relação as pinturas. Tem algumas cabeças de anjos no altar (sem os corpos) que achei meio bizarro. As vigas próximas a porta são sustentadas por homens visíveis apenas da cintura para cima, como se saíssem das paredes. Muito legal. A taxa de entrada para cada uma destas igrejas foi de R$2,00, e todas as outras cobram no máximo este valor pela visita. Quem quiser ir a missa na igreja Senhora do Ó, esta é realizada as 19:00, todas as quintas-feiras. Também é possível marcar casamento nesta igreja.
Também visitamos o teatro municipal, segundo mais antigo em funcionamento no Brasil. Havia visto uma foto antes e é impressionante como ele passa impressão de ser bem maior do que realmente é. É muito simples e sem qualquer luxo. Aparenta ter poucos lugares, mas a lotação é superior a 200 pessoas, devido aos três andares de camarotes.

OBS: Não deixe de fazer uma "visita externa" a igreja de Nossa Senhora do Rosário. Ela é diferente de todo o resto, e suas paredes de pedra fogem muito do padrão da cidade (reparem na espessura das paredes). Segundo explicações que recebemos, esta era a igreja dos escravos, que não podiam frequentar a igreja dos brancos.

Descobrimos no posto de informações turísticas que no distrito de Pompéu (5 km do centro), estava acontecendo o Festival do Ora Pro Nóbis (14 a 22 de maio), e aproveitamos para almoçar por lá. Foi uma boa chance de provar um dos pratos típicos da cidade (arroz, costelinha, ora pro nobis e angu) e comprar produtos artesanais como licores, geléias e bombons de jabuticaba e Ora pro Nóbis. O festival não era exclusivamente gastronômico, mas não pudemos esperar pela programação cultural do domingo.
Outras informações (fonte: informações turísticas de Sabará)
DistânciasBH - 23 km
Rio de janeiro - 429 km
Brasília - 714 km
Vitória - 526 km
São Paulo - 581 km
Salvador - 1430 km
Campo Grande - 1266 km
Santa Bárbara - 58 km
Ouro Preto - 120 km
Congonhas - 104 km
Diamantina - 311 km
Bancos: Brasil, Caixa, Bradesco, Santander, Itau
www.turismosabara.com.br
www.sabara.mg.gov.br
(31)3672-7690
Abraços
Thiago Rulius
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Viagem de trem Curitiba - Morretes

Desde 2005 estava planejando o passeio de trem Curitiba-Morretes, e agora, em uma fria manhã de maio de 2010 estava prestes a embarcar com minha noiva no dito cujo.
Antes da viagem estava bastante preocupado com a compra de passagens, pois nas pesquisas preliminares diziam ser bastante concorridas. O problema é o seguinte: Não é possível comprar a passagem de classe econômica (R$39) a distância, portanto só
poderia fazer a reserva na classe turistico (R$66) ou executivo (R$96). A litorina (R$270) eu nem considero, estava totalmente fora do orçamento.
A idéia era fazer o passeio em uma quinta-feira. Por ser dia util resolvemos tentar comprar na véspera, já em Curitiva, e deu tudo certo. Fomos os primeiros a comprar passagem no vagão da classe econômico. Partimos as 08:15.

Valeu muito a pena. Apesar do trecho mais bonito não representar muito das 3 horas de viagem (chegada 11:15 em Morretes) ele vale pelo trajeto inteiro. Muitas pontes (algumas sobre rios), uma bonita barragem, cachoeira, o pico do marumbi e toda a mata do parque de mesmo nome são a paisagem deste trecho. Existem muitos tuneis no trajeto (o maior deles com 457 metros) e em um deles o trem teve as luzes apagadas propositalmente. Breu total.
Como uma "saidera" o famoso viaduto em curva que vemos nas fotos, e com uma vista maravilhosa abaixo. Depois ainda sobram alguns minutos para relaxar antes da chegada a Morretes.
A classe turistica oferece guia no vagão, e eu me preocupei um pouco em perder as atrações na classe econômica. Para quem quer fazer uma economia para o barreado em Morretes fica a dica: um funcionário do trem sempre aparecia no nosso vagão antes das atrações e dava as coordenadas. Com isso fizemos a viagem mais barata e não perdemos nada.

As fotos tiradas não conseguem mostrar a metade da beleza do lugar. Então a melhor coisa a fazer é não ficar exagerando nas fotos a toa e se concentrar em aproveitar o passeio.
Abraços
Thiago rulius
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Planejando (e economizando) na sua viagem
Vôo
Hoje existe um site legal, que é o Decolar, onde você apenas coloca a cidade de origem e destino, as datas e ele já faz todas as comparações e te dá todas as opções disponíveis. É muito fácil, funciona como os sites de cotação tradicionais, como o Buscapé ou JáCotei, porém para vôos.
Hospedagem
Antes de mais nada leia o artigo deste blog sobre hospedagem clicando aqui!
Existe um site de pesquisa e comparação de preços de hotéis também, o Booking. Assim como no HIHostels, você encontra hospedagem em todo o mundo. Um para hotéis, o outro para albergues (hostels).
Um local com informações de tudo quanto é destino é o Mochileiros. Não deixe de fazer uma pesquisa e anotar as dicas que te interessem. Um outro site legal é o Viagens Maneiras (lá você vai encontrar o cachorro mais viajado do mundo).
Se ainda sobrar um tempinho procure outros blogs de viajantes, são excelentes fontes de informação. Vejam como exemplo este blog sobre Cusco e Machu Picchu, com várias dicas diferentes e relacionadas ao cotidiano do lugar: http://www.aranhanoperu.blogger.com.br/
E leia os outros artigos e relatos de viagem deste blog, claro!
Abraços
Thiago rulius
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Guarapari sem farofa
Parece ruim? Tudo isso acontece por lá nas férias escolares e feriados, e muito. E o impressionante dessa estória é que a maioria do povo gosta. Mas para quem não gosta fica a pergunta: Dá pra visitar Guarapari na temporada e/ou feriados e escapar de toda essa farofa?
Claro que ficando nas praias de mais fácil acesso e com estrutura como calçadão, quiosques e muitos prédios fica mais difícil. Mas pra quem topa uma caminhada dá pra escapar e pegar um certo sossego. Ficar sozinho com a namorada em uma praia é impossível na temporada, mas no meio de uma semana fora do calendário turístico ainda tem jeito.
As opções (a pé) para quem quer sossego e está na lotada praia do morro são as seguintes:
Praia da Cerca: Siga até o fim da Praia do Morro (sentido morro) e vire a esquerda. A praia está logo atrás, a uns cinqüenta metros. É também uma praia com quiosques, não dá pra ficar tão sossegado assim, mas já melhora muito em relação à praia do morro. Praia pequena, uns 200 ou 300 metros. É a opção mais próxima da muvuca.
Praia do Ermitão: Como a praia da cerca, siga até o fim da Praia do Morro e “suba o morro” por sua única trilha (que começa na própria areia da Praia do Morro). No fim da trilha você atingirá a praia do ermitão, pequena e sossegada. Praia sem estrutura e de areia grossa.
Praia dos Adventistas: Para chegar a esta praia você deve pegar, a partir da Avenida Beira-Mar (Praia do Morro) a Avenida Paris. Esta é a avenida que começa onde existe uma rotatória na avenida Beira-Mar. Para quem vai caminhando pela praia do Morro, a avenida Paris fica na reta da pedra onde existe uma estátua de um Marlim. A partir da Av. Paris siga até a primeira curva (umas seis quadras) e entre na segunda rua a direita após o posto de gasolina. Esta rua se transforma em uma estradinha de terra e basta seguir até o fim (não medi a distância, mas acredito que aproximadamente 1km ou pouco mais). A praia dos Adventistas é tranqüila, a rua não acompanha a orla e não existem prédios. Leve água, as vezes (quase sempre) não tem ninguém vendendo nada por lá, ou apenas picolé.
Três Praias: Três pequenas e bonitas praias, com acesso pelas pedras a partir da praia dos Adventistas. Havia um acesso pela Rodovia do Sol a esta praia, pago, mas que mesmo assim trouxe uma certa bagunça ao lugar. Agora está muito tranqüilo. Pelo que me informou um vendedor de picolé, eles fecharam o acesso pela Rodovia, portanto agora só a pé, coisa que a maioria do povo tem muita preguiça de fazer (ótimo!). Havia uma lanchonete em uma das praias mas não está funcionando. Leve água.
Se você está de carro as coisas ficam mais fáceis e as opções aumentam bastante.
Setiba: Praia tranqüila e que não costuma encher muito, porém com pouca areia. Nenhum atrativo especial fora o sossego. Siga a rodovia do sol para o norte.
Setibão: Praia deserta, com areia grossa e muitas conchas na areia. Mar bravo e bastante vento. Legal para uma caminhada sossegada com a namorada. Acesso na continuação da rua principal (beira mar) da praia de Setiba.
Enseada Azul: Composta por três praias, bastante sossegadas mas sempre tem gente. Vale a pena passar um dia tranqüilo. Aqui existem alguns vendedores ambulantes na praia, que esporadicamente lhe oferecem picolé, coco e salgados. Acesso na rodovia do sol em direção a Iriri.
Praia dos Padres: Prainha escondida entre a última das praias da Enseada Azul (praia da Bacutia) e Meaípe. Lugar muito sossegado, sem vendedores, som, etc. O carro não chega até lá (não fica nem visível), o que garante a tranqüilidade. O acesso é feito por trilha a partir do carro, cinco minutos de caminhada.
Concluindo: Guarapari é uma cidade barata, próxima e com muita oferta de imóveis para locação. É uma idéia e vale a pena aparecer por lá. Mas se fosse para escolher, eu iria para Ilha Grande, Búzios ou Arraial do Cabo, vizinha da “concorrente” Cabo Frio. Claro que aí o custo aumenta um pouco.
Não tenho fotos panorâmicas muito boas destas praias em formato digital. Utilizem o http://images.google.com.br/imghp?hl=pt-BR&tab=wi para procurar fotos no google.
Abraços
Thiago
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Reduzindo custos de viagem - Hospedagem
Geralmente um dos maiores custos que temos ao colocar o pé na estrada é a hospedagem. Claro que conforto não faz mal a ninguém, mas para muita gente este é o custo que torna a viagem impraticável, ou muitas vezes faz o viajante voltar pra casa mais cedo porque o dinheiro acabou.
Porém, é possivel economizar muito com hospedagem. Quanto? Depende de quão descolado e desapegado você é!
ALBERGUES
Uma forma tranquila de se economizar são os albergues. Você chega, paga adiantado e te levam para um dos quartos compartilhados (geralmente 4 camas por quarto, mas podem ser mais de 20). Via de regra o café da manhã não está incluído no "pacote".
Esse tipo de hospedagem é muito legal para quem viaja sozinho, você sempre acaba conhecendo alguém para dividir um passeio, pega muitas dicas, geralmente tem uma internet grátis e a cozinha em 90% das vezes fica disponível para fazer a própria comida e lanches, o que gera uma bela economia, já que assim vc se abastece em supermercado e evita os restaurantes todos os dias.
Alguns albergues tem até um lugar onde, quando o viajante está para voltar pra casa, ele pode deixar o que sobrou de sua comida para que outros menos favorecidos possam economizar ainda mais. Outra coisa comum nos albergues são os funcionários fazerem um rango coletivo com o custo dividido entre os hóspedes que queiram participar, o que é muito legal para conhecer gente e ver como as pessoas do país ou região que você está preparam a comida. Também é um ótimo lugar para informações turísticas.
O que muita gente não gosta é que os próprios hospedes precisam lavar tudo o que sujam, como os itens de cozinha, arrumar sua própria cama e enxugar o banheiro quando ele não tem box (muito comum). Na minha opinião, nada mais justo. Se houvesse uma funcionária pra fazer esse serviço lá o dia inteiro o preço ia aumentar.
Muitos albergues tem opção de quarto de casal, mas neste caso o preço também sobe bastante. Não vejo muita vantagem nesta situação.
A rede de albergues mais conhecida no mundo é a HI (Hostelling International). Mas não descarte os outros albergues, existem muitos albergues não filiados muito legais, e as vezes com melhores preços e/ou serviços.
Veja os albergues HI de todo o mundo em http://www.hihostels.com/
Para os albergues do Brasil veja em http://www.albergues.com.br/
Existem albergues que tem muita balada, outros não. Escolha o de sua preferência. Pegue dicas no http://www.mochileiros.com/.
OBS: Existe uma carteirinha da rede HI. Só faça se vai ficar muito tempo viajando, para valer o custo de fazer. Os descontos são baixos, cerca de R$1 ou R$2 a diária, poucas vezes maior. Tem validade de 1 ano.
RESIDENCIAIS
Um pouco mais complicado para as meninas, os residenciais são casas de familia onde existe um quarto vago e os moradores colocam algumas camas para alugar por lá. Os residenciais mais simples costumam ser mais baratos que os albergues, e te permitem ver como funciona uma casa no país que vc está visitando. É bem legal, mas você não tem tanta segurança. Não tem onde trancar sua bagagem como na maioria dos albergues (leve seu cadeado) e ocasionalmente pode ser o unico hóspede. Imagine uma menina se hospedar na casa de um homem solteiro, por exemplo. Você não tem informação nenhuma sobre o cara... É meio complicado ou não é?
Talvez a forma segura seja procurar a cabana de informações turísticas da cidade e perguntar sobre residenciais cadastrados, e assim que chegar lá dizer quem foi que lhe indicou o lugar. Os serviços são piores que os dos albergues. Muitas vezes não se tem acesso a cozinha, o banho pode ser frio, e por aí vai. O padrão varia bastante, pergunte tudo antes e não feche negócio sem ver o quarto.
Existem alguns residenciais que após se consolidarem acabaram se tornando uma espécie de pensão. Estes são muito melhores que os residenciais "pé-duro" citados acima e valem bastante a pena, já que tem um preço aproximado ao dos albergues (residenciais "pe-duro" chegam a custar a metade do preço). Apesar desta melhora na qualidade, o banheiro na maioria das vezes continua no corredor, mas as camas são melhores, tudo é mais limpo, existe uma recepção onde vc pode deixar sua mochila, etc.
Independente da sua escolha, dê sempre uma pechinchada que pode sair um desconto. Principalmente se vai ficar muitas noites.
Abraços
Thiago rulius
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Córdoba de Novo
Infelizmente este foi o último capítulo da minha viagem. Geralmente os últimos dias de viagem acabam sendo meio melancólicos, e não foi diferente nesta viagem, ainda mais passando mal do ouvido como eu estava.
O Ônibus saiu de Salta a noite, e dei muita sorte pois dormi umas 10 das 12 horas de viagem. Quando acordei no ônibus e faltavam uns 50km para a chegada nem acreditei. Comi o lanche que ganhei no ônibus (sanduíche tipo mixto-frio, um biscoito com recheio de doce de leite verdadeiro "cremoso" e um alfajor) enquanto vencia os últimos kms.
Parei para um café na própria rodoviária para acabar de acordar e conferir nos folders de albergues que coletei por todo o noroeste argentino quais poderiam me servir agora. Enquanto olhava chega um cara e me entrega mais um folder de albergue na cidade.
Pelo menos nesta região da Argentina, o número de albergues é enorme, e os mais ativos acabam indo buscar clientes na rodoviária. Comigo foi assim em Cafayate, Córdoba e em uma das chegadas a Salta também. Somente em Córdoba não fui para o novo local apresentado.

Mesmo com este número enorme de albergues e também de residenciales (acomodações simples ou casas de família), estes estabelecimentos muitas vezes ficam lotados, pois esse modo de viagem é muito usado por aqui. Geralmente onde tem muito gringo os albergues sempre fazem sucesso. Um francês que conheci em Salta disse que não se hospedava em nenhum lugar que custasse mais que cinco ou seis dólares, estava fora do seu orçamento.
Segui caminhando ao albergue que escolhi. Ficava meio longe, mas estava indicado em meu guia, o que não deixa de ser alguma referência. Aliás, este foi um dos albergues lotados da primeira noite de viagem. Ao chegar descobri que os quartos ficam abaixo do solo, exagerando um pouco seria um estilo “bunker” de segunda guerra mundial. Aqueles corredores sem janelas e as portas de ferro, tudo muito impessoal. O banheiro bem pequeno, com o chuveiro molhando tudo quando usado, já que parece ter sido colocado lá depois, sem fazer parte do projeto inicial.
Geralmente os próprios hóspedes é que mantém o albergue em ordem. Claro que alguém contratado dá uma faxina de vez em quando, mas via de regra o povo é que mantém a ordem ou desordem do lugar, enxugando o banheiro, lavando as panelas que sujou, arrumando a própria cama, etc. Claro que a maioria não faz isso direito.

Depois de me acomodar saí para bater perna no centro da cidade e ver sua arquitetura, praças e igrejas. As ruas estavam muito tranquilas, pois era domingo e pouco do comércio estava funcionando. O centro da cidade é plano (possivelmente o resto também), o que facilita percorrer longas distâncias. Depois de umas dez quadras cheguei ao centro. Muitas igrejas antigas e de estilos e épocas completamente diferente se espalham pela cidade.
No hipercentro, próximo a catedral, uma série de peatonais (quarteirões fechados) permitem caminhar de forma muito prazeirosa sob estruturas metálicas usadas como base para plantas trepadeiras que sombreiam todo o caminho. Neste domingo pelo menos, várias destas quadras foram tomadas pelos ambulantes, vendendo bugigangas sobre panos estendidos no chão.
Parei em um café para tomar um suco de laranjas e aproveitar o excelente clima da manhã, e como já se aproximava da hora do almoço decidi provar uma pasta. Pedi um capeletti e recebi três panquecas. Não reclamei, achei até melhor na verdade.
Voltei a praça principal para conhecer a ainda com cara de inacabada catedral de Córdoba. Por dentro não era tão bonita como a igreja de Salta, mas vale uma visita. Na saída, uma espécie de urna para que se deposite moedas para manutenção da igreja. Como não tinha centavos de pesos comigo, deixei a contribuição em reais mesmo.
Fui andando sem rumo pelo centro, com o mapa que ganhei do albergue, e sem querer encontrei um shopping. Tinha a intenção de trazer Alfajores para o Brasil, e como na rodoviária não os encontrei da marca que queria decidi trazer o famoso (e não tão bom) Havana mesmo. Custava aproximadamente o dobro do meu preferido.
Uma coisa fica evidente em Córdoba. Em relação a alimentação, os preços ficam em média o dobro do noroeste argentino. Sanduíches, pizzas, cafés e sucos muito caros. Me sentis roubado e com dó de gastar tamanha diferença de preço. Comprei o lanche da tarde em supermercado. em relação aos serviços (albergue, internet) os preços não haviam mudado tanto.
O espanhol nesta cidade (a segunda maior do país) também já é mais corrido, e acabei não me dando tão bem na comunicação por aqui. O cara da recepção do albergue era o mais desesperado, dava até preguiça de perguntar alguma coisa, apesar de ser um sujeito prestativo.

Como não tinha programa noturno fiquei de papo com um argentino de Tucumán, se chamava Matias, e era um tipo moreno, diferente tanto dos índios do noroeste como da maioria do povo de Córdoba. Conversamos muito antes que ele saísse, e fiquei sabendo de dois aventureiros de Tucumán que partiram de bicicleta com apenas vinte pesos no bolso, sem rumo, e acabaram chegando ao Alaska. Depois de toda esta aventura, um deles ficou morando por lá, se casou, e o outro trabalhou por um tempo e conseguiu uma caminhonete para voltar a Argentina. Um deles escreveu um livro, "Pedaleando América", vou ver se encontro aqui no Brasil.
Fui dormir e deixei o relógio programado para acordar na madrugada. O vôo saia muito cedo e acordei no meio da noite com o despertador. Devo ter acordado o resto da turma do dormitório também, que estava cheio (três beliches). Recuperei meus dez pesos com a devolução das Sábanas (roupa de cama - neste albergue cobravam AR$10 até que se devolvesse as peças). peguei um táxí chamado pela recepção e fui para o aeroporto, com aquele sentimento triste de viagem que acabou.
Na hora do check-in me cobraram uma taxa de embarque (cara) que não fazia a menor idéia que teria de pagar e por pura sorte tinha ainda alguns pesos comigo. Depois desta extorsão me sobraram apenas AR$20,50 pesos. A bebida deliciosa e que não tenho idéia dos ingredientes comprada em Cafayate foi barrada lamentavelmente no aeroporto, teria de pagar para levá-la, e o pior, teria de ir com minha mochila, arriscando se romper ou vazar e comprometer todo o resto da bagagem. Acabei deixando-a por lá (voltei e presenteei um sujeito mais quebrado que trabalhava no aeroporto embalando produtos).
Embarquei e sofri durante as subidas e descidas do avião, pois meu ouvido continuava muito ruim e eu muito gripado. A dor era quase insuportável nas descidas. A conexão em Porto Alegre durou cinco minutos, o outro avião já estava nos esperando e com todos os outros passageiros já embarcados. Uma escala no Rio de Janeiro e estava de volta as montanhas de BH.
Beijos e abraços
Thiago rulius



