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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ushuaia - Parque Nacional Tierra del Fuego


      Era o nosso ultimo dia completo de viagem. Apesar do dia feio, com chuva leve, partimos para o parque nacional Tierra Del Fuego, pois era isso ou deixar de conhecê-lo. Pegamos o transporte regular no mesmo local onde o ônibus nos deixou quando chegamos a Ushuaia. Na parte da manhã as partidas eram de hora em hora, e a volta as 13:00, 15:00 ou 17:00. Preço AR$85, para ida e volta. Seguimos na van das 10:00.


      Após um curto trajeto (o parque está próximo a cidade), paramos na portaria para ganhar um mapa e pagar a entrada (AR$60 para MERCOSUL). Seguimos de van até o inicio da senda costera, que beira o canal, onde começaríamos nossa caminhada.





      A trilha (senda costera) tem 8km, e só não pode ser considerada mais fácil devido a umidade elevada, que faz com que o caminho seja muito enlameado e algumas vezes escorregadio. O tempo para percorrê-lo é de 3 a 4 horas, sem pressa. É bastante bonito, com vista para as montanhas e o mar, com algumas praias surgindo no caminho. Na maior parte do tempo, o vento não incomoda. Existem alguns trechos gramados legais para descansar, com vista para a Bahia. O motorista da van nos avisou que poderíamos ver o zorro colorado, uma espécie de raposa, mas não tivemos essa sorte. No início da tarde já havíamos concluído a trilha.
      Fizemos um lanche rápido no centro de visitantes Alakush, onde funciona um mini museu do parque, e seguimos em direção as trilhas mais curtas do setor lapataia, já que lá, no fim da ruta 3 (que vem desde Buenos Aires) pegaríamos nosso transporte de retorno as 17:00. Estas trilhas (6 no total) são todas curtas, tendo apenas 1,5km a mais longa delas. Duas destas trilhas são atalhos para se chegar a baía lapataia, substituindo com vantagens a estrada, para quem está a pé. O mirante laguna verde também vale a pena, até porque está a poucos metros da estrada. As áreas de camping do setor lapataia, a beira da estrada, são bonitas, tem banheiros e não cobram (o único camping pago é o lago roca). Para quem pretende explorar bastante o parque, dormir uma noite por lá seria uma boa idéia, ou talvez duas, ficando uma noite no setor lapataia ou lago roca, e a outra nos campings mais próximos a portaria, para explorar as trilhas daquele setor.
      No fim de todo o passeio, enquanto aguardávamos a van das 17:00 para retornar a Ushuaia, sob frio intenso, exploramos as passarelas ao fim da ruta 3, com bonita vista da baía. A van demorou uma eternidade, mas finalmente apareceu e voltamos tranqüilos.




     A noite, fizemos nosso jantar de despedida no Bodegon Fueguino, onde havíamos jantado na primeira noite. Desta vez o restaurante estava vazio, e o abadejo com molho roquefort não estava tão gostoso como da outra vez.

Abraços
Thiago Rulius

Ushuaia - Passeio de barco


     Chegamos as 09:40 ao guichê no porto para o passeio de barco que sairia as 10:00 (havia opção também para o período da tarde). O pessoal que contratou o passeio foi chegando, e na hora da partida já haviam cerca de 15 pessoas. Pensei que o barco seguiria superlotado (pois disseram no dia anterior que seriam no máximo 10 ou 12 pessoas), mas dividiram o pessoal nos dois barcos, ficando o nosso com nove turistas (incluindo a gente) mais o capitão e o guia. Pagamos a taxa do porto e começamos o passeio com uns quinze minutos de atraso.
      OBS: Há uma placa com os dizeres “Ushuaia – Fin del Mundo” ali ao lado, onde sacamos algumas fotos legais.

      Como o mar de Ushuaia é apenas um canal, suas águas estavam bastante calmas, e permaneceram assim por todo o passeio. O vento também não era muito forte, assim podíamos ficar na área descoberta do iate numa boa. A equipe do barco (capitão e guia) eram muito cordiais e gente boa. Quanto a alimentação, durante as cerca de 03:30 de passeio nos ofereceram alfajores e cerveja artesanal. Para quem pedisse, havia café disponível.
      A primeira parada foi em uma ilhota repleta de cormorões (uma ave muito semelhante ao pingüim) e de leões marinhos de um pêlo, que segundo um guia (livro) da fauna da região atingem 350kg (machos) e 150kg (fêmeas). Como o barco é pequeno, foi possível aproximar muito da ilha para observar os animais. Bacana demais.
      Depois seguimos para a ilha do farol Les Eclaireurs. Nada demais, apenas um ponto para sacar fotos. Já voltando, passamos por uma ilha onde se encontravam os leões marinhos de dois pêlos, que só se encontram ali nesta época do ano e são bem menores que os leões de um pêlo, chegando “apenas” aos 150kg (machos) e 60kg (fêmeas). Mas eles tem uma característica que lhes deixam muito mais atrativos: como os golfinhos, eles seguem e nadam próximos ao barco, saltando de tempo em tempo. Alguns fizeram isso quando partimos, e foi sensacional! Os poucos minutos que passamos observando o comportamento destes animais também foi muito massa.
      OBS: na ida vimos uma ilha com vários ninhos de Cormorões, parecendo pequenos vulcões.




    Depois (e por ultimo), caminhamos um pouco nas ilhas Bridges. Não há nada para ver, e o sítio arqueológico que nos apresentam não passa de um buraco. Porém, a explicação do guia sobre os índios Yamana, nativos da região e que utilizavam aquela ilha como casa de passagem, é muito interessante e enriquece a parada (para aqueles que se interessam por este assunto). Estes índios viviam da caça dos leões marinhos, e navegavam entre as ilhas em pequenas jangadas. E viviam pelados naquele frio!
      Saindo da ilha, os caras do barco retiraram uma armadilha do mar, onde havia uma centolla capturada. Pudemos dar uma boa olhada no bicho que comeríamos mais tarde, uma espécie de caranguejo gigante espinhento.
      Seguimos de volta a Ushuaia, degustando uma cerveja artesanal servida no barco, e tirando boas fotos com uma bela vista da cidade, agora banhada de sol.
     A noite, seguimos para o escondido restaurante de pescados Chiko, indicado pelo pessoal do barco. Olhando da rua, a única coisa que se vê é a escadaria de acesso, já que o restaurante fica em um andar superior. O que o faz ser escondido é o fato de não ficar na movimentada Av. San Martin, e sim na calle Antartida Argentina, próxima ao presídio.
     Gostamos muito deste restaurante. Tinha um bom preço (um pouco mais barato que os restaurantes tabelados da Av. San Martin). Além disso oferecia três ou quatro pratos a base de contolla, o tal caranguejo gigante que vimos mais cedo, além de pratos de peixe e frutos do mar. Recomendo muito que vão a este restaurante ao menos para provar as empanadas (fritas) de marisco, deliciosas. É um bom lugar para tomar vinho também. O vinho da casa saía a apenas AR$30 a garrafa.

Abraços
Thiago Rulius

Ushuaia

Chegada (de ônibus) e primeira noite



      Após um cochilo no hostel que estávamos, seguimos para a rodoviária de El Calafate, de onde o ônibus partiria as 03:00 para Rio Gallegos, onde faríamos uma baldeação e seguiríamos então para Ushuaia. Desembarcamos as 07:30 em Rio Gallegos e comemos boas medialunas na deprimente rodoviária da cidade antes de embarcar novamente, as 08:30, em um ônibus bem inferior ao anterior.
      Quando partimos novamente nos serviram um café da manhã muito ruim no ônibus, dois biscoitos com goiabada e outro biscoito com passas, que não comemos aquela hora. Pouco depois, ainda em Rio Gallegos, o motorista encostou, foi até o fundo do ônibus e começou a encher vários copos de café, saindo depois com uma bandeja e servindo a todos! Ficamos uns dez minutos parados tomando café. Vai entender.
    Seguimos viagem e finalmente saímos de Rio Gallegos. Ao chegar a fronteira chilena encostaram o ônibus, e um ajudante do motorista recolheu os documentos de todos e foi resolver os trâmites na aduana (só não entendi porque esse infeliz também não serviu o café?). Após mais de uma hora de espera, tivemos de ir até lá do mesmo jeito. Quando fomos, a polícia chilena aproveitou para vasculhar o ônibus com um cão farejador.
    Assim que passamos a aduana, o motorista ligou o som do ônibus, altíssimo, que tocava musicas internacionais antigas (poucas) intercaladas com musicas argentinas horríveis. Estas pareciam uma mistura de Calypso, Amado Batista e Sérgio Malandro, cantadas (claro) em espanhol. Um sofrimento que duraria horas. Minha esposa pediu várias vezes que abaixassem o som, o que faziam mas logo aumentavam de novo. Em um determinado momento, não abaixaram mais. Só nos restou ficar procurando guanacos (parentes da lhama) e ñandus (emas) a beira da estrada. Ñandus e flamingos vimos somente uma ou duas vezes, enquanto os guanacos, felizmente, apareceram com certa freqüência.
      Após a travessia do canal de beagle (onde aproveitamos para comer ponchos a AR$12 ou CH$1000 na balsa) seguimos viagem. As travessias de fronteira foram um pouco mais fáceis para sair do Chile e entrar na Argentina. Chegamos a Rio Grande, onde a maioria dos passageiros desceu. Vi que colocaram nossas mochilas para fora e fui para lá recolocá-las no ônibus, quando descobri que aquele ônibus não passaria dali, tínhamos de trocar de ônibus. Voltamos para dentro para pegar nossa bagagem de mão e avisamos a uma gringa que estava lá dentro. Ela ficou meio assustada, não estava entendendo nada, mas nos seguiu, e embarcamos em outro ônibus ainda pior! A viagem seguiu na mesma até bem próximo a Ushuaia, onde finalmente surgiram montanhas nevadas, em um visual muito bonito.
      Chegando a Ushuaia, o ônibus nos deixou em uma calçada a beira do canal de Beagle, sob uma fina garoa. Parecíamos abandonados no meio de lugar nenhum. Haviam duas pessoas com folders oferecendo habitações. Escolhemos o hostel que oferecia quarto de casal. Eles se ofereciam para pagar o taxi, mas como não passava nenhum seguimos a pé. No caminho conhecemos o hostel Haush, mas seguimos até o outro. Não gostamos muito e voltamos ao Haush, ficando a uma quadra da Av. San Martin, a principal rua e centro comercial da cidade, similar a calle Mitre em Bariloche.
      Fechamos o dia jantando no restaurante Bodegon Fueguino. Eu comi um gostoso cordeiro assado com fritas e minha esposa um abadejo ao molho roquefort com purê de abóboras (muito bom). Vinho San Telmo malbec a AR$40.

Informações turísticas e compras

    Tiramos o dia seguinte para nos estruturar para os passeios dos próximos dias: sacar dinheiro, ver horários dos ônibus para o parque nacional Tierra Del Fuego e contratar o passeio de barco, seguindo a dica dos brasileiros que conhecemos no ônibus para o parque Torres Del Paine. Depois veríamos as lojas da Avenida San Martin.

      Para facilitar todo o trabalho, seguimos primeiro até o guichê de informações turísticas junto ao porto, onde conseguimos um mapa da cidade, além da indicação dos locais para sacar dinheiro e informações sobre os passeios que iríamos fazer, em português.
     Sacar dinheiro foi a tarefa mais difícil. As filas dos caixas rápidos dos bancos eram enormes, algumas vezes saindo rua afora por vários metros.
      Caminhamos por quase toda a Avenida San Martin, vendo roupas e outros artigos para venda, ignorando apenas as lojas do tipo free-shop de aeroporto, onde sabíamos que não encontraríamos nada de nosso interesse. Para quem quer comprar equipamentos para mochilar, existem lojas da Columbia, Montagne, The North Face e Salomon, entre outras. Lojas de lembranças e bugigangas estão espalhadas por todas as quadras, além de algumas poucas chocolaterias e livrarias.
      Contratamos o passeio de barco recomendado pelos brasileiros que conhecemos, na empresa citada por eles, que administra os barcos Tango e Che. Os quiosques que vendem estes passeios estão logo atrás do guichê de informações turísticas, e o ingresso pode ser comprado na primeira cabana a direita, por AR$250 por pessoa. Com um pequeno chororô conseguimos baixar para AR$225, 10% de desconto. No dia seguinte teríamos de pagar mais AR$7 por pessoa, como uma espécie de “taxa de embarque” do porto.
      Para fechar o dia fizemos compras para preparar o jantar no hostel: macarrão, salsicha, cebola, água, vinho, doce de leite e queijo (para comer com pão) e pão. Os vinhos nacionais (no caso, argentinos) estavam muito baratos, decidimos comprar alguns no ultimo dia para levar para o Brasil nas mochilas, além de alguns doces de leite La Salamandra.

Abraços
Thiago Rulius