domingo, 20 de outubro de 2013

Versailles

Palácio de Versailles e parte de seu jardim
 
Ninguém me falou, mas acho impossível que outra atração nos arredores de Paris seja mais visitada que Versailles. Certamente não pela cidade, que existe a sombra do seu glorioso palácio, este sim o centro das atenções.

Assim que chegamos lá, após um curto trajeto de trem (que nem dá para chamar de viagem), chamou atenção a quantidade de turistas se aglomerando a frente do castelo. Mesmo assim, tinha uma ótima expectativa, especialmente depois de conhecer o palácio do Catete e seu jardim no Rio de Janeiro. As proporções são completamente diferentes, mas o nosso palácio merece, e muito, uma visita. Claro que Versailles vai muito além do Catete. Apenas o trecho do palácio que visitamos, que imagino não seja 20% do seu tamanho total, já deve ser maior que o palácio brasileiro.

Logo na entrada, uma longa fila, que pudemos pular por já ter comprado os ingressos anteriormente, no guichê de informações turísticas que fica entre a estação de trem e o castelo, vendido com uma sobretaxa de dois euros.

Adornos do palácio




Lá dentro, o “caminho feliz” é visitar o palácio em primeiro lugar (até mesmo porque seu horário de visitas é encerrado antes do jardim). Foi o que fizemos. Pegamos os audioguias (grátis, ou com preço embutido no valor de entrada) e começamos a explorar os aposentos do palácio.

Quarto da rainha Maria Antonieta
Apesar de termos seguido para lá em uma quinta-feira, dia que não é dos mais batidos e que supostamente o lugar não está tão cheio, parecia não caber mais ninguém ali. Mesmo com toda a beleza do castelo, fica bastante difícil, para não dizer impossível, sentir a sua atmosfera.  A todo momento passavam aquelas excursões onde o guia vai a frente levando sua varinha com uma fitinha colorida a ponta, seguida por um grupo de turistas com os dedinhos nervosos, disparando fotos de qualquer coisa que apareça a sua frente. Cheguei a ver uma turista, após ouvir a explicação do seu guia, apenas levantar o braço com a máquina fotográfica para disparar a foto de um aposento que ela sequer entrou e nem conseguia ver o que tinha, já que era baixinha e tinha dezenas de pessoas a sua frente.

Mas mesmo com todo o antoclímax do lugar, existem aposentos extremamente interessantes, como os quartos do rei e da rainha, e as salas para realizar cada uma das suas obrigações: a sala onde o rei recebia seus súditos, a sala onde jantavam (com um espaço com várias cadeiras, estilo sala de aula, para que alguns bajuladores pudessem vê-los jantar), o quarto da rainha com sua passagem secreta (usada por Maria Antonieta para tentar escapar da guilhotina, o que não adiantou), entre outros. A sala dos espelhos também é muito bonita e enorme, neste cômodo deu para imaginar como seria um baile naqueles tempos (comece retirando a metade dos turistas e imagine os demais com roupas de época que já é um começo).

A famosa sala dos espelhos de Versailles
 
No mais, repare os papéis ou forros de paredes, pinturas, esculturas e móveis de época espalhados pelos aposentos (mesmo que parte da mobília não seja original, já que muitas peças sumiram ou foram destruídas durante a revolução francesa). Para quem repara nos detalhes, é uma festa. E não deixe de pegar seu audioguia, que enriquece bastante a visita.

Panorâmica do jardim de Versailles

Quanto aos jardins, estes são maravilhosos. Na região mais próxima ao palácio, estão os jardins mais contemplativos e tradicionais, com canteiros de flores, caminhos e árvores com efeitos de topiaria. Mais afastados, o grande lago (que se vê do palácio) onde se pode alugar barcos e remar por ali, além dos bosques e das outras atrações (Grand Trianon, Petit Trianon e Domínio de Maria Antonieta). Não visitei estes outros atrativos, que são pagos a parte, e apesar de não tê-los conhecido, posso afirmar que, se você quer conhecer com calma os jardins de Versailles, só compre o ingresso full (que dá acesso a estas atrações) se tiver chegado cedo, pois do contrário vai faltar tempo para conhecer tudo. O lugar é enorme.

Vista do castelo a partir de seu jardim


Para quem não quer (ou não pode) andar demais, é possível alugar um carrinho, mas o preço é alto (trinta euros, se não me engano).

Minha opinião é que o lugar vale a visita, especialmente o jardim, que por ser tão grande, não se nota a quantidade de turistas. No caso do palácio, não posso negar que é muito bonito, mas gostaria de ter conhecido outros (como Fontainebleau) que também são turísticos, mas muito menos visitados que Versailles, para fazer um comparativo. A quantidade de gente dentro do castelo reduz o prazer da visita. Acreditem ou não, e podem me chamar de doido, mas meu prazer em conhecer o sossegado palácio do Catete foi maior (mas não estou dizendo que seja mais bonito, não confundam).

Uma bela galeria do palácio

Outras informações

Como chegar: Pegue o trem RER C5 na estação Invalides de metrô (compre o ticket nas máquinas automáticas, opção Ile de France). Compre o bilhete de volta ainda em Paris ou assim que chegar, pois no horário de partida a estação vira um inferno, com filas enormes para comprar a passagem. Ao descer da estação, basta andar algumas poucas centenas de metros (é bem perto). Siga para a direita e depois esquerda, ou siga o fluxo de pessoas.

Preços
  • 15 euros para palácio e jardins (17 com sobretaxa do escritório de turismo).
  • Para o passaporte (acesso também ao Grand Trianon, Petit Trianon e Dominios de Maria Antonieta, o preço varia de acordo com o dia da semana, indo de 19,50 a 26,50.
OBS: As livrarias FNAC vendem ingressos para vários museus e outros atrativos turísticos de Paris. É possível que vendam entradas para Versailles também. Estude esta possibilidade para todas as atrações mais concorridas. Mesmo pagando um pequeno acréscimo, a economia de tempo pode significar a visita a mais uma atração no mesmo dia.

Abraços
Thiago Rulius

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Auvers-sur-Oise

A igreja de Auvers

A pequena cidade de Auvers-sur-Oise tinha tudo para ser desconhecida de todos, a exceção de seus cerca de seis mil habitantes. Deve ter sido assim até o fim do século XIX, quando a cidade passou a abrigar pintores franceses que depois seriam reconhecidos no mundo artístico, como Charles Daubigny, Camile Pissarro e Paul Cezanne. Não bastassem estes nomes, a cidade ganhou até mesmo certa notoriedade por ter abrigado o pintor Vincent Van Gogh em seus últimos dias de vida.

Estátua de Van Gogh
Van Gogh chegou a Auvers após deixar o hospício próximo a Saint-Remy, no sul da França. Na nova cidade, poderia ser atendido pelo médico Paul Gachet, residente em Auvers e que havia tratado anteriormente de Pissarro (que o indicou ao irmão de Van Gogh, Théo) e Cezanne. Gachet também era pintor amador e colecionador de arte, o que criaria um vínculo maior entre paciente e médico. Além do mais, vivendo ali, Van Gogh estava bastante próximo de seu irmão Théo, que poderia socorrer em caso de necessidade.

Hoje o turismo em Auvers-sur-Oise gira basicamente em torno de Van Gogh e dos outros pintores que viveram na cidade. Mas nem só por isso ela merece uma visita, pois qualquer turista que vá ficar exclusivamente em Paris pode encontrar ali uma pequena prova da vida em uma pequena cidade da França, com suas casas centenárias e canteiros floridos.

Canteiro de flores em Auvers
Apesar de muito perto de Paris (cerca de 35km), Auvers tem uma avenida principal relativamente movimentada e demais ruas completamente sossegadas. É uma cidade gostosa para uma caminhada descompromissada, com suas casas antigas de pedra e paisagens seculares. Um detalhe interessante do passeio em Auvers é que várias das paisagens da cidade foram pintadas pelos artistas citados acima. Quando o local ainda existe, é possível ver uma placa no local aproximado onde a obra teria sido realizada, e nesta placa está uma reprodução da pintura, para comparação com a paisagem original. Caso queira fazer um passeio buscando estas placas, basta comprar um mapa (por 1 euro) no balcão de informações turísticas da cidade, com a localização de cada uma destas pinturas.

O castelo de Auvers
Auberge Ravoux, hoje Maison Van Gogh
Mas a cidade é especialmente interessante para os fãs de Van Gogh (meu caso): É possível visitar a igreja de Auvers, pintada por ele e que atrai pintores que montam ali seus cavaletes para fazer novas versões e interpretações do local. Está aberta para visitação a pequena pensão onde ele morou (hoje Maison Van Gogh), assim como os tumulos dos Irmãos Théo e Vincent Van Gogh no cemitério da cidade. No parque Van Gogh há uma estátua feita pelo escultor Zadkine, na avenida principal, e ainda é possível visitar a casa do doutor Gachet. Tive a oportunidade de visitar o castelo, a igreja e o cemitério apenas (era terça feira e descobri apenas na cidade que as demais atrações funcionavam apenas de quarta a domingo). Ainda assim, foi uma viagem emocionante e bastante comovente para mim, que sou um fã do pintor. Gostaria de ter montado ali um cavalete e passado toda a tarde pintando a famosa igreja, ou pelo menos ter um pouco mais de tempo para fazer um esboço a lápis.

Rua em Auvers
De qualquer maneira, seja você um fã de pintura ou não, a cidade de Auvers tem um certo charme e considero uma visita interessante, e pode ser feita como day trip a partir de Paris numa boa. Para chegar lá, vá até a gare (estação) St. Lazare e compre um bilhete para Auvers-sur-Oise. O trem o levará até Pontoise, onde deve ser feita uma baldeação para Auvers, sem necessidade de comprar novo bilhete. Existe um trem direto da Gare du Nord, porém este não é diário, então será necessário verificar que dias ele segue para lá caso queira usar esta opção. Ao chegar em Auvers, já compre a passagem de volta, pois a bilheteria fecha cedo e a passagem serve para qualquer viagem no dia.

Tumulos dos irmãos Van Gogh - Tragédia em familia

Para quem quer levar uma lembrança, a banca de informações turísticas vende souvenirs relacionados a Van Gogh, como posters, canecas, canetas e outros. Alguns deles importados inclusive do museu Van Gogh, em Amsterdam.


Outras atrações da cidade são a casa e o atelier de Daubigny, que também estavam fechados na terça-feira, e o castelo de Auvers.



Abraços.
Thiago Rulius.

domingo, 16 de junho de 2013

Rio de Janeiro - Cultura e praia

Vista do Pão de Açucar. A visibilidade não estava das melhores

Finalmente voltei ao Rio. Tinha ido até a cidade uma unica vez, em uma excursão bate e volta, de ônibus, para assistir a Plebe Rude na terceira edição do Rock in Rio. Daquela viagem eu trouxe a experiência de ir a um show com publico próximo a duzentas mil pessoas e uma hepatite que me deixou de molho no carvanal daquele ano. Mas do Rio mesmo, eu não trouxe nada. Só que agora finalmente pude conhecer um pouco da mais famosa das nossas cidades.

Seriam apenas três dias, e queria, na medida do possível, dividir o tempo entre cultura e praia, e o dia da chegada ficou para a cultura. Depois de deixar as malas no hotel, seguimos de metrô até a estação candelária. Desembarcamos praticamente na porta do MNBA, ou Museu Nacional de Belas Artes, para onde fomos logo após almoçar no famoso e meia-boca bar amarelinho, que também fica ali.

Museu Nacional de Belas Artes
Estava ansioso para ver pessoalmente a impressionante coleção de obras do século XIX, com pinturas de Belmiro de Almeida, Vitor Meirelles e Rodolfo Amoedo. Algumas telas darão ao visitante a sensação de já serem velhas conhecidas, e não por acaso. Telas como Primeira missa no Brasil (Vitor Meirelles) e Batalha no Avaí (Pedro Américo) costumam, ou costumavam, ilustrar nossos livros de história. No caso da batalha do Avaí, o tamanho da tela é impressionante: 11x6m. Se você é um aficionado por pintura e escultura, programe meio dia para conhecer este museu, com as galerias dos séculos XIX, XX e XXI. E acredite: o tempo será curto.

Teatro Municipal
Ao lado do museu, visitamos o Teatro Municipal. O lugar é muito bonito, e parte das explicações dos guias tem algum interesse histórico. O prédio foi restaurado não faz muito tempo, e a maioria dos ambientes mostrados estão bem conservados. Existem pinturas e vitrais belissímos no interior do edifício, além das escadarias e esculturas. Um passeio muito interessante, mas que não dá acesso a todo o prédio, e por ser uma visita guiada, não lhe permite explorar o prédio no seu próprio tempo, o que é sempre muito chato. Para quem tem esta possibilidade, melhor seria conhecer o teatro indo a um espetáculo. Mas se não for possível, esta visita guiada quebra o galho. Se você pretende assistir a um espetáculo por lá, melhor reservar com antecedência.

Para fechar o dia, um café na tradicional Confeitaria Colombo. Lugar bonito e aconchegante, mas não muito barato e nem muito gostoso. Vale mais pelo ambiente que pela comida. Se voltar para lá me contento só com um café e mais nada.

Vista do Pão de Açucar
No dia seguinte fomos para a zona sul, lado oposto ao centro para quem está no Flamengo. Seguimos de onibus para a Urca, onde subiríamos o famoso bondinho do pão de açucar. Mais turístico, impossível, mas já que não iria até o Cristo devido a baixa visibilidade (mesmo com o dia relativamente ensolarado) não queria perder o segundo mirante da cidade. Não me arrependo. A vista é muito bonita mesmo do morro da Urca, onde o bonde faz sua primeira parada. Também vale andar por aqui antes de subir até a estação mais alta: o espaço é maior que no pão de açucar e com locais com cadeiras e mesas para descanso e contemplação. Depois de aproveitar o morro da urca, é hora de subir para o ponto mais alto do passeio e aproveitar a vista. Para quem quiser mais, dá para fazer uma caminhada que eles chamam "bosque", também no pão de açucar. O início da trilha fica bem próxima ao local de embarque do bondinho.

Subir o pão de açucar é um passeio bacana, apesar de caro (veja detalhes técnicos no fim do artigo). Mas vale a pena, pelo menos uma vez. E deixo uma dica: chegue cedo, porque com o passar das horas as filas aumentam muito, e o lugar fica tão cheio que vai ser dificil sair em uma foto sozinho, além do tempo perdido esperando a sua vez de subir.

Um pouco de praia


Praia de Ipanema
Resolvemos então descansar em uma das praias do Rio. Deixamos o Pão de açucar próximo ao meio dia e seguimos para as praias da zona sul. Existem onibus diretos a partir dali. Passamos direto por Copacabana e descemos em Ipanema. A idéia era pegar uma tarde de praia e depois voltar parte do caminho pelas praias em direção ao Flamengo, onde estávamos hospedados.

Ficamos na barraca do Uruguai. Por conhecer o Uruguai, achei que seria legal ficar na barraca e ver se tinham algo tipico para nos servir (e acabei comendo uma espécia de choripán - pão com linguiça, cebola e molho chimichurri). Ficamos por lá, alugamos cadeiras e guarda-sol, o que rola fácil em qualquer barraca por ali. Passamos uma tarde agradável na praia, que estava relativamente cheia mas sem tumulto. Foi uma tarde agradável e uma ótima idéia para descanso, o que é sempre bom no meio de uma viagem onde as vezes ficamos procurando conhecer coisas demais e acabos nos estressando.

No fim da tarde saímos caminhando para uma rápida olhada na lagoa Rodrigo de Freitas (não me impressionou) e terminamos a caminhada comendo uma moqueca no restaurante Peixe-Vivo em Copacabana, já de noite. Depois da comilança fora de hora, desistimos de conhecer a Lapa, o programa noturno que estava planejado para aquela noite e que ficou para a próxima viagem.

Ultimo dia: Cultura e praia.


Praia de Copacabana
Como não deu para ver Copacabana no dia anterior, voltamos para lá no domingo de manhã. pegamos o metrô no Flamengo e chegamos a praia passando ao lado do Copacabana Palace. Uma curta caminhada e repetimos a estratégia do dia anterior. Cadeiras e guarda-sol alugados e mais algumas horas de ócio dos bons. As maiores diferenças das vizinhas Ipanema e Copacabana: Preços (Copacabana é mais barato, ou a barraca do Uruguai é que era cara demais) e o mar (que pareceu mais perigoso em Copacabana).

Palácio do Catete

Os jardins do palácio do Catete
A tarde, nossa ultima parada antes de voltar para casa. Palácio do Catete, onde moraram vários presidentes da república e onde se matou Getulio Vargas. Gostei mais deste passeio que da visita ao Teatro Municipal. Ambos os prédios são ricamente decorados, mas o palácio do Catete lhe permite explorar sem pressa, observando todos os detalhes: Maçanetas de formas elaboradas, pinturas e esculturas espalhados por todo o palácio, mobiliário de época e jardins maravilhosos, com pontes, lagos, coreto. Imperdível. Quanto ao quarto onde Getulio Vargas se matou, masmo que ache esse tipo de coisa meio lúgubre, vá sem medo. Não achei que o clima pesou tanto quanto outros lugares que visitei onde tragédias ocorreram no passado.

Então é isso: Se o Rio está perto de você, um período curto dá para conhecer muita coisa, e nem precisa correr tanto assim. Programe lugares próximos em um mesmo dia para não perder tempo com deslocamentos, pegue uma praia para relaxar e quando puder, volte para conhecer o que ficou para trás.

Abraços
Thiago Rulius

Informações


Museu Nacional de Belas Artes
Entrada: R$8 (inteira) ou R$4 (meia). Ou R$8 para famílias de até 4 pessoas.

Teatro Municipal: R$10 (inteira) ou R$5(meia) para visita guiada.
Agenda: http://www.theatromunicipal.rj.gov.br/

Confeitaria Colombo:
Salgados a partir de R$5,50.
Pastel de Belém: R$7,00.
Café expresso: R$4,50.

Pão de açucar:
Preços: R$53 (inteira) e R$26 (meia - somente para estudantes do RJ e idosos).

Praia de Ipanema (barraca do Uruguai):
Pão com linguiça: R$9
Cerveja e Coco: R$5
Cadeiras: R$5
Guarda-sol: R$10, mas deixaram por R$5.

Praia de Copacabana (barraca a esquerda do Copacabana Palace e em frente ao posto Salva Vidas):
Cerveja e Coco: R$4
Cadeiras: R$3
Guarda-sol: R$3

Palácio do Catete
Acesso pelo metrô, estação Catete.
Grátis aos domingos.

domingo, 21 de abril de 2013

Parque Estadual do Itacolomi

Chegando ao pico do Itacolomi
Um belo parque com uma trilha que segue por trechos de Mata Atlântica e Campos rupestres rumo ao pico do Itacolomi. Bom para quem quer apenas passar um dia (ou fim de semana) em contato com a natureza, há menos de duas horas de Belo Horizonte e colado na histórica Ouro Preto.

Ficamos um fim de semana por lá, acampando. Apesar de ficar tão perto de casa (pouco mais de 100km de BH) e da antiga vontade de subir até o pico do Itacolomi, ainda não conhecia o parque.

Centro de visitantes

O acesso não podia ser mais fácil: A entrada do parque está a poucos metros da MG-262, e pode ser vista desta estrada. Fica pouco depois do trevo para Lavras Novas (para quem vem no sentido BH - Mariana). Até este trevo a sinalização é deficiente (ou inexistente), mas logo depois as placas aparecem e não deixam duvidas do acesso ao parque.


Visual da trilha de acesso ao pico do Itacolomi

Para quem pretende subir o pico, principal atrativo do parque, é necessário chegar ao centro de visitantes - distante 5km da portaria por estrada de terra - pouco antes das 09:00, horário de partida deste passeio que é feito com o acompanhamento de guia ao custo de R$10 por pessoa. Se chegar cedo, aproveite para conhecer o centro de visitantes, que tem algum material interativo, como um aparelho para reproduzir os sons de alguns animais e uma maquete com as diversas atrações do parque e região.

Trilha rumo ao pico do Itacolomi
No dia que fizemos o passeio, fomos levados pelos guias em um carro do parque até o inicio da trilha (2km do centro de visitantes). A subida é feita em um tempo médio de uma hora e trinta minutos, variando de acordo com o preparo fisico de quem está subindo. Não deixem de levar garrafas de água e lanche para o parque, pois não estão a venda por lá e serão necessários durante o passeio. A subida até o pico é muito bonita, com trechos de mata atlântica e campos rupestres (que estavam floridos em alguns trechos quando passamos por lá). A vista por todo o trajeto é super bacana, podendo-se ver a sede do parque e seus lagos, o distrito de Lavras Novas, a cidade de Ouro Preto e a pedra do caraça. O pico do Itacolomi só se revela no fim da trilha, irreconhecível visto por trás, que é onde a trilha acaba. Não e possível ao turista comum subir até o topo da pedra, mas segundo me disseram existem vias de escalada por lá. Para quem é profissional neste esporte e quiser tentar a subida, é uma boa idéia contatar o pessoal do parque para maiores informações.
Lagoa da Capela - Para um banho após a trilha!

A descida, apesar de forçar um pouco os joelhos, é mais rápida. De volta a sede do parque, ainda é possível dar um mergulho na lagoa da capela antes de ir embora (você pode vestir sua roupa de banho no banheiro do centro de visitantes).

Para quem puder dormir por lá, o camping é muito bom, com banheiros estruturados e área de convivência super bem montada. Muito próximo fica uma área de convivência muito bem estruturada, com um lugar reservado para fogueira (se informe com os funcionários do parque). Nós dormimos por lá e gostamos muito. Apesar das duas cachoeiras citadas no centro de visitantes ainda não estarem disponíveis para visitação, existem outras trilhas mais curtas que podem ser feitas, além da possibilidade de visitar o museu do chá, a capela de São José e a casa bandeirista no dia seguinte, além da possibilidade de assistir ao pôr do sol no mirante do morro do cachorro.

Recomendo uma visita ao parque, talvez integrada com uma visita a cidade de Ouro Preto.

Se quiser fazer um passeio diferente em Ouro Preto experimente visitar as galerias de arte e ateliês da cidade. Você também pode visitá-la durante o Fórum das Letras, evento de literatura que rola por lá. Veja as resenhas deste evento em 2011 e 2012. Se quiser explorar um pouco mais a região, visite distritos como Glaura, ou a Chapada de Lavras Novas, com seus menos de 100 habitantes.


Abraços.
Thiago Rulius   

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Tabuleiro (Conceição do Mato Dentro)

Cachoeira de Tabuleiro


Já havia visitado a cachoeira do tabuleiro cerca de nove anos atrás. Ficamos encantados com a queda enorme (273 metros), a maior do Brasil fora da região da amazônia. Não tem como não ficar impressionado. Mas da outra vez, o nosso passeio se resumiu a isso. Não conhecemos outras cachoeiras, não nos hospedamos no vilarejo de tabuleiro (estávamos em Conceição do Mato Dentro, distante aproximados 17km). Então foi uma visita incompleta. esta vez acampamos por lá, conhecemos muito mais, e garanto: Tabuleiro (o distrito) tem programa para pelo menos uma semana, se você quer se aprofundar. Além dos passeios descritos abaixo, não conhecemos a cachoeira da fumaça e não visitamos a parte de cima das cachoeiras Rabo de Cavalo e Tabuleiro (necessário guia). Além do passeio mais famoso e atrativo: a travessia de Tabuleiro até Lapinha da Serra.

A única tristeza é que as cachoeiras e poços são tão grandes que simplesmente não conseguimos enquadrá-los de maneira decente nas fotografias. Peço desculpas pelas fotos abaixo, elas não mostram vinte por cento da beleza do lugar.

Bifurcação da estrada para Tabuleiro / Itacolomi

Parte inferior da cachoeira de Congonhas

Cachoeira Congonhas (cerca de 70m): cerca de 1h de caminhada. Após a entrada do poço Pari, continuar pela estrada de terra até encontrar uma porteira. Deixar o carro aí, atravessar a porteira e tomar a nova estrada de terra a esquerda. Após o cemitério (também a esquerda) continuar por alguns metros e entrar na porteira em frente a uma casa também a esquerda. A partir daí seguir a trilha que vai descer até o rio e depois o atravessar. Seguir por esta trilha até ver a cachoeira a esquerda. O paredão pode ser visto na bifurcação da trilha. Tem o poço mais raso, bom para quem tem medo de se afogar. Não paga entrada.

Poço Pari: Dentro da cidade. Caminhada curta. O posso é bonito e tem uma prainha de cascalho. Lugar sossegado, ideal para visitar no dia em que não há muito tempo disponível, como os dias de chegada e partida. O posso deve ter uns duzentos metros quadrados. Tem também uma pequena queda d'água. Pode ser cobrado R$5 por pessoa na entrada, mas quem está no camping Pari tem acesso livre.


Cachoeira do tabuleiro vista do início da trilha

Centro de visitantes do parque

Cachoeira Tabuleiro (273m): Cachoeira mais famosa da região, que pode ser vista da estrada de terra que dá acesso a portaria do parque. A cachoeira do tabuleiro está agora protegida dentro da área de um parque. A trilha foi facilitada nos ultimos anos no trecho afastado do rio, já que entalharam degraus nas pedras, facilitando o acesso. Apesar disso, não é caminhada para qualquer um. Quem não tiver costume ao menos de fazer algumas caminhadas pode sofrer para chegar, e mais ainda para voltar. Também não aconselho ir de chinelos, pois uma boa parte do trecho é ingreme, e a outra é feita pelas pedras no leito do rio. Sandálias para trekking ou tênis e botas seriam mais aconselháveis. Fizemos toda a trilha em 1:05, mas quem não tem preparo pode levar o dobro deste tempo. O paredão da cachoeira é muito bonito e o poço é enorme. Pode ventar bastante, então é melhor ficar em um local ensolarado, de preferência mais afastado da queda, para não ficar recebendo um spray de água praticamente ininterrupto. Não deixe para ir no fim da tarde, melhor ir cedo e aproveitar o dia. R$5 por pessoa.

Cachoeira Rabo de Cavalo

Cachoeira Rabo de cavalo (120m): Também está pretegida por um parque, mas o acesso é grátis. Para chegar, deve-se voltar pela estrada de terra em direção a Conceição do Mato Dentro por cerca de 5km, até encontrar a placa indicando o distrito de Itacolomi. Entrar por esta estrada, passar pelo distrito e seguir em frente, perguntando a todos qual o caminho, já que a sinalização é deficiente. O momento de maior duvida é em uma encruzilhada onde o lado direito tem uma ponte de concreto (que leva a cachoeira da fumaça) e a trilha da esquerda leva a cachoeira Rabo de Cavalo. Será necessário passar dentro de fazendas e tomar cuidado com as vacas na estrada. Pouco antes da chegada há um riozinho que talvez possa ser atravessado de carro, dependendo do volume de água. Se não for possível atravessar, deixe o carro no gramado antes do rio e prossiga caminhando, pois a portaria do parque está próxima (menos de 1km). Na portaria você prenche um formulário registrando a entrada e caminha por cerca de meia hora de trilha fácil até chegar a esta cachoeira maravilhosa. As três quedas que compõem esta cachoeira ficam visíveis da estrada, em um visual espetacular. É possível conhecer uma outra queda cerca de 400 metros acima da rabo de cavalo, mas é necessário um guia, já que o caminho é diferente. Na saída, tomar um caldo de cana na casa na portaria do parque. As pessoas que moram ali são muito humildes, não custa nada dar uma força para aquelas pessoas que, no final das contas, ajudam a vigiar aquele lugar maravilhoso. E além do mais, o caldo de cana gelado no fim da trilha vai muito bem.

Panorâmica da cachoeira Rabo de Cavalo


Alimentação:

- Café da manhã: Paradia da Netinha. Peça o pão na chapa com ovo e queijo, é uma delicia. A netinha é muito boazinha.
- Almoço: Restaurante Rupestre.

OBS: De Conceição do Mato Dentro ao distrito de Tabuleiro - Aprox. 17km, sendo 12km de terra.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Parque da Serra do Curral - BH



A coisa mais difícil para a turma que bate cartão é manter um blog de viagens com atualizações regulares. Afinal, só temos férias uma vez por ano (alguns tem duas), e nos finais de semana temos opções limitadas de passeios a fazer, devido ao tempo curto, que nos obriga a procurar destinos que não sejam muito longe de casa.

Neste post vamos apresentar o recém inaugurado parque Serra do Curral, que tem sua portaria no bairro Mangabeiras, próxima a Praça do Papa e parque das Mangabeiras. Uma opção muito legal para quem está com um dia livre no fim de semana e quer fazer uma boa caminhada e respirar um pouco de ar puro.


O principal atrativo do parque são os dez mirantes espalhados por um trajeto de 4000 metros. A maior parte deles tem placas com foto e indicação que ajudam a identificar vários atrativos turísticos de BH, como a lagoa da Pampulha, Mineirão e Parque municipal. Do outro lado, é possível ver Nova Lima e montanhas da região.

O acesso aos três primeiros mirantes ocorre nos primeiros 1700 metros de trilha, que podem ser percorridos por qualquer visitante. Os demais, somente podem ser visitados por aqueles que agendarem a caminhada “travessia da serra”, um pouco mais penosa para aqueles que não têm condicionamento físico, visto que o trajeto não é tão longo, mas a descida final da serra exige bastante dos joelhos e pernas.


Para quem faz a travessia, é necessário reservar no site do parque. São formados grupos de até quinze pessoas e o acompanhamento de guia é obrigatório. Com os guias temos a possibilidade de aprender um pouco sobre a cidade, além da fauna e flora do parque. Durante nosso passeio vimos um esquilo e um filhote de urubu.


Informações Técnicas

Localização: Av. José do Patrocínio Pontes, 1.951 - Praça Estado de Israel, bairro Mangabeiras.

Site:  http://www.parqueserradocurral.com.br/Localizacao.aspx

Preparação para travessia: Fazer a reserva no site, usar calçado apropriado e levar água e lanche. Máquina fotográfica é essencial.

No fim da travessia (que termina no parque das mangabeiras) um ônibus do parque levará todos os participantes de volta a portaria do parque Serra do Curral, onde os veículos foram deixados.

A visita ao parque é gratuita.

Abraços.
Thiago Rulius

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Arte em Ouro Preto


Quem acompanha o Viagem Independente já viu que boa parte das viagens relatadas aqui não tratam dos destinos mais comuns para o “grande publico”. Mas algumas vezes visitamos lugares onde todo mundo já gastou a sola do tênis. É o caso do destino deste post: Ouro Preto. Porém vamos dar um enfoque diferente a este post, ignorando as visitas as igrejas e focando apenas nos ateliês e galerias de arte da cidade.
 
Tela de Milton Passos

Já estive em Ouro Preto algumas vezes, e desta ultima estava por lá para participar do excelente evento literário Fórum das Letras, que estava acompanhando pela segunda vez (para ler uma resenha do evento escrita por mim, clique aqui). Mas como a programação do fórum não ocupa todo o dia, aproveitamos os momentos livres para conhecer um pouco da arte da cidade.

Eu já havia, previamente, feito um levantamento de alguns dos ateliês e galerias de arte da cidade, focando principalmente na região mais central, que pudesse ser visitada a pé. Tenho certeza que deixei ainda boas opções para trás, então peço a todo leitor que conheça ateliês e galerias não citados neste artigo, que comentem a matéria complementando as informações.

Não entendo absolutamente nada de escultura. Elas podem ser encontradas em parte dos estabelecimentos citados abaixo, mas vou focar especialmente nas pinturas, que tenho ao menos alguma noção.

Tela de Benedito
Galeria de Arte Relicário 1800 – Pode ser o ponto de partida do passeio, já que fica na Praça Tiradentes. É uma excelente galeria, a única com um ar mais profissional. Tem mais de cem telas expostas, a maioria de incontestável qualidade. O foco principal é a paisagem mineira. Você encontrará telas de vários artistas renomados, como Benedito Luizi, Wilson Vicente, Rubens Vargas, Cláudio Vinicius, entre outros. Além da paisagem é possível encontrar algumas telas abstratas ou de paisagens marinhas. O casario de Ouro Preto é retratado em parte das telas. A senhora Firmina, proprietária, me recebeu muito bem, batemos um bom papo por lá. Posso dizer que ela conhece muito e enriquece demais a visita. Seria capaz de passar toda a tarde em sua galeria batendo papo com ela. Mas tome cuidado se você não tem a intenção de comprar nada: a grande maioria das telas da galeria é de alto nível, e a dona Firmina é uma negociante que não perde um cliente com facilidade. Eu não pude deixar de sair com um quadro, e só não levei um segundo por falta de recursos, mas até hoje estou com uma tela do Benedito Luizi na cabeça. Classificação: imperdível. Praça Tiradentes, 114 – segundo andar – Tel. 3552-2536.

Galeria Casa de Artes – Lugar grande, com muitas obras expostas. Especializada em obras dos artistas da cidade ou arredores. Tem obras de vários estilos e para todos os bolsos. O atendimento é simpático, e o proprietário desde o início dá abertura para negociação de preços das obras. Não cheguei a progredir com nenhuma negociação, mas recordo ter gostado bastante das telas do artista Anderson Braga. Diferentemente da galeria Relicário 1800, aqui a maioria das telas não estão emolduradas, o que pode ser considerado em uma eventual comparação de valores das obras. O único ponto negativo é que parte das instalações são mal iluminadas, o que atrapalha a avaliação das telas. Classificação: Muito bom. Localização: Em frente a igreja São Francisco de Assis e logo abaixo da feirinha de pedra sabão.

Galeria de Arte do Marcelo – Infelizmente não sei o nome desta galeria, me esqueci de anotar e o Marcelo, que acabou de inaugurá-la, ainda não tinha cartões de visita. Em comparação com as galerias anteriores, esta galeria é bem mais modesta, com um numero bastante limitado de obras expostas. Apesar disso, o Marcelo tenta compensar com um excelente atendimento, sem fazer nenhuma pressão em relação a vendas. No caso das pinturas, os artistas com maior número de obras são o Edésio, de Mariana, com suas telas retratando Ouro Preto e arredores (geralmente em cenas com tempo fechado ou chuvoso – são telas muito bacanas) e a Zelli, que é parente dele. Os quadros dela são de paisagem, mas pintados de uma maneira menos realista. São bacanas e exclusivos desta galeria. Como a Zelli é parente do Marcelo, é possível que ele consiga flexibilizar um pouco mais os preços destas obras. A galeria tem também algumas esculturas e peças sacras. Classificação: Bom. O Marcelo compensa o ainda pequeno acervo com um atendimento de primeira. Localização: Rua da Conceição (continuação da rua do Aleijadinho), esquina com rua Felipe dos Santos. Melhor forma de chegar: Descer a rua São Francisco, conhecendo seus pequenos ateliês, e atravessar o beco em frente ao ateliê Entalhes e Pinturas. Saindo do beco estará de frente a galeria do Marcelo.

Ateliê Milton Passos – Quase de frente a igreja do Rosário, não está no centro da cidade, mas não fica longe (menos de 1km) e acreditem, após sair da rua direita, o trecho é praticamente plano. Todos os quadros que vi do Milton Passos retratam Ouro Preto, tanto em dias de sol quanto nos dias nublados e escuros. São belos quadros, que certamente vão agradar a quem quer levar uma imagem de Ouro Preto para casa. Classificação: Bom.

Ateliê Elias Layon – Fica entre a igreja do Rosário e o centro, na rua Getulio Vargas, muito próximo ao ateliê do Milton Passos. Infelizmente o ateliê estava fechado quando passei por lá. Ele funciona aos sábados, mas neste dia eles não puderam abrir (perguntei ao proprietário da loja em frente, que ligou para o pessoal do ateliê – ou o próprio artista, não sei – no ato). O tipo de pintura do Elias não é o que aprecio mais, mas foi uma pena não ter tido a chance de conhecer seu ateliê.

Ateliês da rua São Francisco – Muito próximos da praça Tiradentes, mas a rua são Francisco é uma ladeira razoável, então os menos preparados podem se cansar um pouco. São três ateliês, um logo no inicio da rua (topo do morro) e outros dois durante a descida (Edu Atelier e Entalhes e pinturas). Sinceramente não são muito atrativos, mas como são caminho para a galeria do Marcelo podem valer a pena. O melhor dos três e que vale a visita é o Entalhes e Pinturas, com algumas belas telas do Edésio de Mariana. Classificação: Regular.

Estes foram os ateliês e galerias que visitei. Claro, existem muitos outros. O próprio artista Anderson Braga, pelo que vi na internet, tem um ateliê no centro, e existem outros nos bairros vizinhos, e até um na rua Padre Rolim, por onde chegamos a cidade (quem vem de BH). É possível encontrar quadros a venda também expostos em hotéis, como acontece no saguão do hotel Solar da Ópera na rua Direita (atual Conde de Bobadela), onde vi um quadro maravilhoso do Wilson Vicente.

Espero que estes endereços sirvam pelo menos como um começo para quem vai buscar arte em Ouro Preto. Perguntando nestes lugares, certamente é possível encontrar muito mais.

Galeria Relicário 1800: www.relicario1800.art.br
Galeria Casa de Artes: www.casadeartesouropreto.com

Abraços,
Thiago Rulius