quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Guarapari sem farofa

Apesar da concorrência de Cabo Frio, acho que Guarapari ainda é a praia mais freqüentada pelos mineiros. Praia lotada, criançada melando com o picolé derretido, musica alta e de baixíssima qualidade em som de carros e quiosques, marmanjo jogando bola no horário mais cheio da praia e ainda se achando dono da razão quando acerta uma bolada nos outros.

Parece ruim? Tudo isso acontece por lá nas férias escolares e feriados, e muito. E o impressionante dessa estória é que a maioria do povo gosta. Mas para quem não gosta fica a pergunta: Dá pra visitar Guarapari na temporada e/ou feriados e escapar de toda essa farofa?

Claro que ficando nas praias de mais fácil acesso e com estrutura como calçadão, quiosques e muitos prédios fica mais difícil. Mas pra quem topa uma caminhada dá pra escapar e pegar um certo sossego. Ficar sozinho com a namorada em uma praia é impossível na temporada, mas no meio de uma semana fora do calendário turístico ainda tem jeito.

As opções (a pé) para quem quer sossego e está na lotada praia do morro são as seguintes:

Praia da Cerca: Siga até o fim da Praia do Morro (sentido morro) e vire a esquerda. A praia está logo atrás, a uns cinqüenta metros. É também uma praia com quiosques, não dá pra ficar tão sossegado assim, mas já melhora muito em relação à praia do morro. Praia pequena, uns 200 ou 300 metros. É a opção mais próxima da muvuca.

Praia do Ermitão: Como a praia da cerca, siga até o fim da Praia do Morro e “suba o morro” por sua única trilha (que começa na própria areia da Praia do Morro). No fim da trilha você atingirá a praia do ermitão, pequena e sossegada. Praia sem estrutura e de areia grossa.

Praia dos Adventistas: Para chegar a esta praia você deve pegar, a partir da Avenida Beira-Mar (Praia do Morro) a Avenida Paris. Esta é a avenida que começa onde existe uma rotatória na avenida Beira-Mar. Para quem vai caminhando pela praia do Morro, a avenida Paris fica na reta da pedra onde existe uma estátua de um Marlim. A partir da Av. Paris siga até a primeira curva (umas seis quadras) e entre na segunda rua a direita após o posto de gasolina. Esta rua se transforma em uma estradinha de terra e basta seguir até o fim (não medi a distância, mas acredito que aproximadamente 1km ou pouco mais). A praia dos Adventistas é tranqüila, a rua não acompanha a orla e não existem prédios. Leve água, as vezes (quase sempre) não tem ninguém vendendo nada por lá, ou apenas picolé.

Três Praias: Três pequenas e bonitas praias, com acesso pelas pedras a partir da praia dos Adventistas. Havia um acesso pela Rodovia do Sol a esta praia, pago, mas que mesmo assim trouxe uma certa bagunça ao lugar. Agora está muito tranqüilo. Pelo que me informou um vendedor de picolé, eles fecharam o acesso pela Rodovia, portanto agora só a pé, coisa que a maioria do povo tem muita preguiça de fazer (ótimo!). Havia uma lanchonete em uma das praias mas não está funcionando. Leve água.

Se você está de carro as coisas ficam mais fáceis e as opções aumentam bastante.

Setiba: Praia tranqüila e que não costuma encher muito, porém com pouca areia. Nenhum atrativo especial fora o sossego. Siga a rodovia do sol para o norte.

Setibão: Praia deserta, com areia grossa e muitas conchas na areia. Mar bravo e bastante vento. Legal para uma caminhada sossegada com a namorada. Acesso na continuação da rua principal (beira mar) da praia de Setiba.

Enseada Azul: Composta por três praias, bastante sossegadas mas sempre tem gente. Vale a pena passar um dia tranqüilo. Aqui existem alguns vendedores ambulantes na praia, que esporadicamente lhe oferecem picolé, coco e salgados. Acesso na rodovia do sol em direção a Iriri.

Praia dos Padres: Prainha escondida entre a última das praias da Enseada Azul (praia da Bacutia) e Meaípe. Lugar muito sossegado, sem vendedores, som, etc. O carro não chega até lá (não fica nem visível), o que garante a tranqüilidade. O acesso é feito por trilha a partir do carro, cinco minutos de caminhada.

Concluindo: Guarapari é uma cidade barata, próxima e com muita oferta de imóveis para locação. É uma idéia e vale a pena aparecer por lá. Mas se fosse para escolher, eu iria para Ilha Grande, Búzios ou Arraial do Cabo, vizinha da “concorrente” Cabo Frio. Claro que aí o custo aumenta um pouco.

Não tenho fotos panorâmicas muito boas destas praias em formato digital. Utilizem o http://images.google.com.br/imghp?hl=pt-BR&tab=wi para procurar fotos no google.

Abraços
Thiago

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Reduzindo custos de viagem - Hospedagem

Hospedagem com Economia

Geralmente um dos maiores custos que temos ao colocar o pé na estrada é a hospedagem. Claro que conforto não faz mal a ninguém, mas para muita gente este é o custo que torna a viagem impraticável, ou muitas vezes faz o viajante voltar pra casa mais cedo porque o dinheiro acabou.

Porém, é possivel economizar muito com hospedagem. Quanto? Depende de quão descolado e desapegado você é!

ALBERGUES

Uma forma tranquila de se economizar são os albergues. Você chega, paga adiantado e te levam para um dos quartos compartilhados (geralmente 4 camas por quarto, mas podem ser mais de 20). Via de regra o café da manhã não está incluído no "pacote".

Esse tipo de hospedagem é muito legal para quem viaja sozinho, você sempre acaba conhecendo alguém para dividir um passeio, pega muitas dicas, geralmente tem uma internet grátis e a cozinha em 90% das vezes fica disponível para fazer a própria comida e lanches, o que gera uma bela economia, já que assim vc se abastece em supermercado e evita os restaurantes todos os dias.

Alguns albergues tem até um lugar onde, quando o viajante está para voltar pra casa, ele pode deixar o que sobrou de sua comida para que outros menos favorecidos possam economizar ainda mais. Outra coisa comum nos albergues são os funcionários fazerem um rango coletivo com o custo dividido entre os hóspedes que queiram participar, o que é muito legal para conhecer gente e ver como as pessoas do país ou região que você está preparam a comida. Também é um ótimo lugar para informações turísticas.

O que muita gente não gosta é que os próprios hospedes precisam lavar tudo o que sujam, como os itens de cozinha, arrumar sua própria cama e enxugar o banheiro quando ele não tem box (muito comum). Na minha opinião, nada mais justo. Se houvesse uma funcionária pra fazer esse serviço lá o dia inteiro o preço ia aumentar.

Muitos albergues tem opção de quarto de casal, mas neste caso o preço também sobe bastante. Não vejo muita vantagem nesta situação.

A rede de albergues mais conhecida no mundo é a HI (Hostelling International). Mas não descarte os outros albergues, existem muitos albergues não filiados muito legais, e as vezes com melhores preços e/ou serviços.

Veja os albergues HI de todo o mundo em http://www.hihostels.com/
Para os albergues do Brasil veja em http://www.albergues.com.br/

Existem albergues que tem muita balada, outros não. Escolha o de sua preferência. Pegue dicas no http://www.mochileiros.com/.

OBS: Existe uma carteirinha da rede HI. Só faça se vai ficar muito tempo viajando, para valer o custo de fazer. Os descontos são baixos, cerca de R$1 ou R$2 a diária, poucas vezes maior. Tem validade de 1 ano.

RESIDENCIAIS

Um pouco mais complicado para as meninas, os residenciais são casas de familia onde existe um quarto vago e os moradores colocam algumas camas para alugar por lá. Os residenciais mais simples costumam ser mais baratos que os albergues, e te permitem ver como funciona uma casa no país que vc está visitando. É bem legal, mas você não tem tanta segurança. Não tem onde trancar sua bagagem como na maioria dos albergues (leve seu cadeado) e ocasionalmente pode ser o unico hóspede. Imagine uma menina se hospedar na casa de um homem solteiro, por exemplo. Você não tem informação nenhuma sobre o cara... É meio complicado ou não é?

Talvez a forma segura seja procurar a cabana de informações turísticas da cidade e perguntar sobre residenciais cadastrados, e assim que chegar lá dizer quem foi que lhe indicou o lugar. Os serviços são piores que os dos albergues. Muitas vezes não se tem acesso a cozinha, o banho pode ser frio, e por aí vai. O padrão varia bastante, pergunte tudo antes e não feche negócio sem ver o quarto.

Existem alguns residenciais que após se consolidarem acabaram se tornando uma espécie de pensão. Estes são muito melhores que os residenciais "pé-duro" citados acima e valem bastante a pena, já que tem um preço aproximado ao dos albergues (residenciais "pe-duro" chegam a custar a metade do preço). Apesar desta melhora na qualidade, o banheiro na maioria das vezes continua no corredor, mas as camas são melhores, tudo é mais limpo, existe uma recepção onde vc pode deixar sua mochila, etc.

Independente da sua escolha, dê sempre uma pechinchada que pode sair um desconto. Principalmente se vai ficar muitas noites.

Abraços
Thiago rulius

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Córdoba de Novo

Olá pessoal.

Infelizmente este foi o último capítulo da minha viagem. Geralmente os últimos dias de viagem acabam sendo meio melancólicos, e não foi diferente nesta viagem, ainda mais passando mal do ouvido como eu estava.

O Ônibus saiu de Salta a noite, e dei muita sorte pois dormi umas 10 das 12 horas de viagem. Quando acordei no ônibus e faltavam uns 50km para a chegada nem acreditei. Comi o lanche que ganhei no ônibus (sanduíche tipo mixto-frio, um biscoito com recheio de doce de leite verdadeiro "cremoso" e um alfajor) enquanto vencia os últimos kms.

Parei para um café na própria rodoviária para acabar de acordar e conferir nos folders de albergues que coletei por todo o noroeste argentino quais poderiam me servir agora. Enquanto olhava chega um cara e me entrega mais um folder de albergue na cidade.

Pelo menos nesta região da Argentina, o número de albergues é enorme, e os mais ativos acabam indo buscar clientes na rodoviária. Comigo foi assim em Cafayate, Córdoba e em uma das chegadas a Salta também. Somente em Córdoba não fui para o novo local apresentado.


Mesmo com este número enorme de albergues e também de residenciales (acomodações simples ou casas de família), estes estabelecimentos muitas vezes ficam lotados, pois esse modo de viagem é muito usado por aqui. Geralmente onde tem muito gringo os albergues sempre fazem sucesso. Um francês que conheci em Salta disse que não se hospedava em nenhum lugar que custasse mais que cinco ou seis dólares, estava fora do seu orçamento.

Segui caminhando ao albergue que escolhi. Ficava meio longe, mas estava indicado em meu guia, o que não deixa de ser alguma referência. Aliás, este foi um dos albergues lotados da primeira noite de viagem. Ao chegar descobri que os quartos ficam abaixo do solo, exagerando um pouco seria um estilo “bunker” de segunda guerra mundial. Aqueles corredores sem janelas e as portas de ferro, tudo muito impessoal. O banheiro bem pequeno, com o chuveiro molhando tudo quando usado, já que parece ter sido colocado lá depois, sem fazer parte do projeto inicial.

Geralmente os próprios hóspedes é que mantém o albergue em ordem. Claro que alguém contratado dá uma faxina de vez em quando, mas via de regra o povo é que mantém a ordem ou desordem do lugar, enxugando o banheiro, lavando as panelas que sujou, arrumando a própria cama, etc. Claro que a maioria não faz isso direito.


Depois de me acomodar saí para bater perna no centro da cidade e ver sua arquitetura, praças e igrejas. As ruas estavam muito tranquilas, pois era domingo e pouco do comércio estava funcionando. O centro da cidade é plano (possivelmente o resto também), o que facilita percorrer longas distâncias. Depois de umas dez quadras cheguei ao centro. Muitas igrejas antigas e de estilos e épocas completamente diferente se espalham pela cidade.

No hipercentro, próximo a catedral, uma série de peatonais (quarteirões fechados) permitem caminhar de forma muito prazeirosa sob estruturas metálicas usadas como base para plantas trepadeiras que sombreiam todo o caminho. Neste domingo pelo menos, várias destas quadras foram tomadas pelos ambulantes, vendendo bugigangas sobre panos estendidos no chão.

Parei em um café para tomar um suco de laranjas e aproveitar o excelente clima da manhã, e como já se aproximava da hora do almoço decidi provar uma pasta. Pedi um capeletti e recebi três panquecas. Não reclamei, achei até melhor na verdade.

Voltei a praça principal para conhecer a ainda com cara de inacabada catedral de Córdoba. Por dentro não era tão bonita como a igreja de Salta, mas vale uma visita. Na saída, uma espécie de urna para que se deposite moedas para manutenção da igreja. Como não tinha centavos de pesos comigo, deixei a contribuição em reais mesmo.

Fui andando sem rumo pelo centro, com o mapa que ganhei do albergue, e sem querer encontrei um shopping. Tinha a intenção de trazer Alfajores para o Brasil, e como na rodoviária não os encontrei da marca que queria decidi trazer o famoso (e não tão bom) Havana mesmo. Custava aproximadamente o dobro do meu preferido.

Uma coisa fica evidente em Córdoba. Em relação a alimentação, os preços ficam em média o dobro do noroeste argentino. Sanduíches, pizzas, cafés e sucos muito caros. Me sentis roubado e com dó de gastar tamanha diferença de preço. Comprei o lanche da tarde em supermercado. em relação aos serviços (albergue, internet) os preços não haviam mudado tanto.

O espanhol nesta cidade (a segunda maior do país) também já é mais corrido, e acabei não me dando tão bem na comunicação por aqui. O cara da recepção do albergue era o mais desesperado, dava até preguiça de perguntar alguma coisa, apesar de ser um sujeito prestativo.



Como não tinha programa noturno fiquei de papo com um argentino de Tucumán, se chamava Matias, e era um tipo moreno, diferente tanto dos índios do noroeste como da maioria do povo de Córdoba. Conversamos muito antes que ele saísse, e fiquei sabendo de dois aventureiros de Tucumán que partiram de bicicleta com apenas vinte pesos no bolso, sem rumo, e acabaram chegando ao Alaska. Depois de toda esta aventura, um deles ficou morando por lá, se casou, e o outro trabalhou por um tempo e conseguiu uma caminhonete para voltar a Argentina. Um deles escreveu um livro, "Pedaleando América", vou ver se encontro aqui no Brasil.

Fui dormir e deixei o relógio programado para acordar na madrugada. O vôo saia muito cedo e acordei no meio da noite com o despertador. Devo ter acordado o resto da turma do dormitório também, que estava cheio (três beliches). Recuperei meus dez pesos com a devolução das Sábanas (roupa de cama - neste albergue cobravam AR$10 até que se devolvesse as peças). peguei um táxí chamado pela recepção e fui para o aeroporto, com aquele sentimento triste de viagem que acabou.

Na hora do check-in me cobraram uma taxa de embarque (cara) que não fazia a menor idéia que teria de pagar e por pura sorte tinha ainda alguns pesos comigo. Depois desta extorsão me sobraram apenas AR$20,50 pesos. A bebida deliciosa e que não tenho idéia dos ingredientes comprada em Cafayate foi barrada lamentavelmente no aeroporto, teria de pagar para levá-la, e o pior, teria de ir com minha mochila, arriscando se romper ou vazar e comprometer todo o resto da bagagem. Acabei deixando-a por lá (voltei e presenteei um sujeito mais quebrado que trabalhava no aeroporto embalando produtos).

Embarquei e sofri durante as subidas e descidas do avião, pois meu ouvido continuava muito ruim e eu muito gripado. A dor era quase insuportável nas descidas. A conexão em Porto Alegre durou cinco minutos, o outro avião já estava nos esperando e com todos os outros passageiros já embarcados. Uma escala no Rio de Janeiro e estava de volta as montanhas de BH.

Peço desculpas pelo atraso impressionante deste post. Depois vou postar os custos para ajudar quem pretende se aventurar nesta região tão bacana da Argentina.

Beijos e abraços
Thiago rulius

sábado, 8 de novembro de 2008

Puna

Olá pessoal. Postagem super atrasada, mas vamos lá.

Vou chamar este "capítulo" de Puna, que é como chamam a região de altitude por aqui, já que o passeio foi uma excursão com uma mistura de lugares, em vários momentos beirando ou ultrapassando os 4.000 metros.

Saímos cedo de Salta, me buscaram em um novo albergue que consegui, muito bom. A Argentina está lotada de albergues, e muitas vezes vale a pena ficar nesses que não são da Hostelling International. São mais baratos e na maioria das vezes são tão bons quanto.

A van da excursão atrasou um pouco e me buscou as 08:00. Saímos e pararam a van para que todos pudéssemos comprar folhas de coca para a altitude num bar ainda em Salta!!! Não comprei, já tinha subido uma vez e passei muito bem, fora que dá um bafo o negócio. Só não levei em conta que estava muito gripado desta vez.

Começamos a subida pela estrada, muito bonita, que leva a San Antonio de los Cobres, que está a cerca de 3800 metros de altitude. O caminho é legal, alguns trechos também do estilo "Estrada na Bolivia". Fizemos uma parada em um boteco para usar o banheiro e tomar um chá de coca. Esse eu não recusei, até desceu beleza. O banheiro quando entrei fiquei até em dúvida se tinha entendido direito o caminho, lugar muito esquisito. Fazer no mato é mais negócio. Olhem a foto:


Conheci também as ruínas de Tastil, que estão em bom estado e, dizem, originais (sem restauração). Estão melhores de as de Coctaca. Nao sei se porque desta vez estava cheio de gente ao redor, várias vans e turistas batendo fotos, mas achei Coctaca mais bacana pelo isolamento: ruínas e ruinas para você explorar sozinho.Fotos de Tastil:




Depois continuamos, vimos algumas dezenas de lhamas pelo caminho soltas, foi muito legal. Chega uma certa altura, acima de 3500 metros de acordo com a guia, que nem os Cardones (cactos) aparecem mais, apenas uns tufos de mato ressecado, um visual muito desolado mas bonito também.

Almocamos em San Antonio de los Cobres, cidade muito pacata e a mais alta de toda a minha viagem. Algumas poucas indias vendendo umas bonecas de pano e artesanato. No restaurante não tinha cardápio. Eles vinham e te falavam: "Vai querer o quê?". Sei lá ué... Explicaram que o cardápio completo com sopa, prato e sobremesa era AR$25. pedi só a sopa a AR$10 com um pãozinho que estava na mesa para dar uma consistência. Já não me sentia muito bem nessa hora. Depois comi duas empanadas de carne assadas (al horno) para acabar de tampar o buraco. As bebidas estavam em uma prateleira e quando um casal belga da excursão pediu um Sprite ela pegou e colocou lá para eles, quente, e nao tinha gelo nem nada. Pedi uma água. Paguei com uma nova de AR$100 e o cara me voltou parte do troco e disse que ia arrumar outros AR$50 e ficou de papo lá. Ele tinha uma voz chata demais esse cara. Tomo mundo levantou e eu lá esperando o cara, acho que ele queria que eu esquecesse. Aí chamei ele e disse algo como "señor, mi cambio!", com aquela cara de canseira pra ele.



Seguimos para as Salinas Grandes, que já conhecia. Esse trecho de estrada foi legal, todo de rípio a 4000 metros e tudo completamente plano, mas com centenas de lhamas a todo momento, e as vezes algumas vicuñas correndo.



A guia também comentou umas coisas legais sobre os Cardones: De acordo com ela crescem de 1 a 4 cm por ano, de acordo com as condições do local (altitude, umidade, etc), e vivem por cerca de 400 anos. Retêm muita água e as vezes uns passaros conseguem furá-los, e pode até matá-los.

A parte de Salinas Grandes, Cuesta del Lipan e Purmamarca, restante do passeio, não vou comentar pois já falei sobre esses lugares em outros tópicos, ok? Só posso dizer que passei mal e foi foda aguentar até a noite. Na descida da Cuesta del Lipan senti muitas dores de ouvido devido a pressão e saí para Córdoba quando cheguei a Salta esgotado.

Beijos e abraços
Thiago rulius

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Ruínas de Quilmes

Olá.

Acordei gripado e saí para encontrar o casal que me acompanhou as ruínas de Quilmes, um Argentino e uma Italiana, namorados. Pegamos o táxi, um renault ano 87 estilo opala (forçando um pouco) bem detonado. O cara foi conversando com o Argentino e eu pescando a conversa deles, quando entendia. Estava já me comunicando bem com os Argentinos a essa altura, mas quando falam entre eles são muito rápidos e fica difícil para mim acompanhar.

Chegamos rápido as ruínas, não é longe e a estrada é plana, em bom estado e muito vazia. Pgamos AR$5 para entrar (cada um) e fomos caminhar um pouco pelo lugar. O taxista ia esperar por uma hora, já estava combinada essa permanência.


As ruínas, como foram parcialmente reconstruídas estão bem melhores que as de Coctaca, com os muros super bem conservados e indo mais ou menos até a cintura. Começam no plano e vão "subindo o morro", sempre com muitos Cardones pra todo lado, alguns bem grandes. Depois de já ter caminhado bastante, topamos com 4 lhamas lá no alto, pastando tranquilamente, bem mansas. Encontramos alguns "morteros" na pedra, que são os buracos que usavam como pilão, e alguns outros trabalhos na pedra também.


O lugar é bonito, valeu o passeio. Uns 30 minutos a mais seria o ideal, mas 1 hora ficou de bom tamanho, deu para andar legal pelo lugar.

De volta a Cafayate, comprei a passagem de volta para a próxima manhã a Salta, e comprei algumas lembranças. Tomei um locro saideira a noite. O Locro é tipo uma sopa regional, e vai muito bem para um gripado.

Beijos e Abraços
Thiago rulius

Cafayate de Novo

Olá.

Antes de sair de Cachi, fiz um mini trekking até um dos mirantes da cidade para poder ver o nevado de Cachi, e até que tinha ainda um resto de neve no topo da montanha, muito bonita. Olhem só:

Cachi está a 2280 metros de altitude de acordo com meu guia de viagem, e o nevado de Cachi tem 6.380 metros, se não me engano o mais alto da América após o Aconcágua. E vejam as nuvens de Cachi que legal:

Depois disso fui a Salta somente para pegar um outro onibus a Cafayate, que já conheço, mas entrou de novo no roteiro por servir de base para conhecer as ruínas de Quilmes. Fui chegando na rodoviária e uns 20 minutos depois já estava no onibus a Cafayate. Cheguei e consegui um Hostel (Albergue) a AR$25. Não é muito bom, nem muito ruim.

Saí para ver como é o esquema para as ruínas de Quilmes. Fui a uma agência de turismo de Cafayate e estavam cobrando AR$70 por pessoa. Por sorte, bem na hora tinha mais um casal na agência tentando esta mesma excursão. Como eles não fecharam na saída propus de vermos quanto ficaria um remis (tipo táxi) dividido. Olhamos no quiosque das informações turísticas e descobrimos que ficava a AR$100, e dividido para três!!! Ficou marcado para o próximo dia, as 08:30.
Beijos e Abraços
Thiago rulius

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Cachi

Pessoal, Nao vou comentar o novo dia que passeo em Salta, já que mostrei a cidade em um post anterior. O que posso dizer é que visitei mais um museu com a história da província e é muito legal.

A viagem para Cachi começou as 13:30 e foi fantástica, acho que até melhor que o passeio da Cuesta del Lipán. O visual é muito legal, muitas montanhas e uma estrada com muitas curvas e chegando a uns 3.400 metros de altitude.

Nao se pode calcular o tempo de viagem aqui na argentina pela distância como fazemos aí no Brasil. As estradas variam muito em qualidade, e os onibus também. Esta viagem a Cachi é relativamente curta, menos de 200km desde Salta, mas leva 4:30. Agora olhem o onibus que faz o trajeto:


A estrada em alguns momentos é de Rípio (cascalho) e em outros asfalto. Alguns trechos tem guard-rail (é assim que se escreve?) em outros nao, entao passa essa furreca aí cheia de gente, inclusive com passageiros em pé e lotado de sacolas pelo corredor, e você vendo só aquele precipício abaixo. Lembram daquele email "estrada na Bolivia"? Em alguns trechos é assim, mas nao com aquele fluxo de caminhoes.


A maior parte do tempo em que a estrada é de Ripio para passar dois onibus tem que sem bem devagar e calculado para caber. Isso só aconteceu uma vez. outra coisa legal da estrada e que várias corredeiras passam sobre a estrada, entao tem que freiar e passar lentamente sobre o leito do rio. Por isso essa estrada tem fama de complicada na época das chuvas, o volume de água deve subir bastante.

Mais a frente, depois da subida começa o parque nacional Los Cardones, para preservar aqueles cactus gigantes que vocês já viram em outra foto. O visual nesta parte alta é muito legal, nada de árvores, somente uns tufos de mato de uns 60 centimentos de altura no máximo. Vi Vicunhas, ou Guanacos, três vezes, um estava correndo bem próximo a estrada. Foi muito legal mesmo, ver um animal bonito desses correndo naquele lugar enorme, livre! O detalhe é que tem longos trechos completamente planos nesta altitude, e aí você nao vê mais nenhuma montanha, é como se estivesse no topo do mundo.

Cachi também nao decepcionou. Diferente do que eu esperava, a cidade é bem diferente de Tilcara ou Humahuaca, um pouco menor, mas muito bonita, bem cuidada, toda pintada de branco com uma linda praça e sem lixo pelas ruas. As ruas sao mais largas e o clima da cidade é muito "do bem". Queria ficar um pouco mais, mas nao vai ter jeito.



Infelizmente cheguei aqui as 18:00 e já vou sair as 09:00. Nao existem onibus aqui para Angastaco, entao para chegar a Cafayate terei de voltar a Salta. Vou de Remis, que é tipo um taxi dividido, vai sair pelo preço do onibus. Amanha a noite já estarei em Cafayate, para poder conhecer as ruínas de Quilmes e Angastaco, mas vou passar o dia todo na estrada.
Beijos e Abraços
Thiago rulius