terça-feira, 1 de maio de 2012

El Chalten - Trilha para Fitz Roy



      Acordamos as 08:00 para nos preparar para a subida para o Fitz Roy (laguna de los três). Após um fraco café da manhã, passamos no mercado e compramos queijo e presunto para fazer sanduíches, que levamos para comer na trilha. Eram cerca de 09:00, e além de nevando, estava um frio de rachar, a temperatura mais baixa em toda a viagem até o momento. Estava usando toda a roupa que levava para a trilha (camisa dry-fit + fleece + anorak + luvas). Depois ainda coloquei a touca.
      No final da Avenida San Martin começamos a trilha para os miradores do Fitz Roy. Pouco depois o sol apareceu, e apesar de continuar nevando o calor aumentou. Eu fui tirando as camadas de roupa e cerca de meia hora depois, apesar da neve insistir em cair, estava apenas de camiseta. Continuamos em uma trilha sempre leve, até o mirador Fitz Roy (o primeiro da trilha), onde não conseguimos ver absolutamente nada devido ao tempo. Voltamos dez minutos até a última encruzilhada para passar pela laguna Capri e seu acampamento (gratuito, mas sem estrutura). Nas fotos que tinha visto do lugar, ele me parecia mais bonito.
     Seguimos mais um pouco, passando pela praia da laguna Capri. Em um determinado momento paramos, pensando se deveríamos continuar ou não, visto que a visibilidade das montanhas era baixíssima. Nesta hora, enquanto consultávamos nosso mapa em busca de outras atrações, passou por nós um guarda-parque. Disse a ele que parecia que não veríamos naquele dia o Fitz Roy (o que ele confirmou), e que estava em duvida se seguia até o Glaciar Piedras Blancas ou voltaria e visitava o mirador los Condores, na entrada da cidade. Ele disse que ambas eram boas opções, mas que o Glaciar Piedras Blancas era melhor, pois já estávamos ali e a trilha era plana para frente. Além do mais, de que adiantaria ir ao mirador los Condores com aquela visibilidade?
    Seguimos o conselho do guarda-parque e fomos em frente. Algum tempo depois estávamos na bifurcação campamento Poincenot / mirador Piedras Blancas. Neste momento o Fitz Roy se encontrava parcialmente visível. Decidimos seguir ao mirador Piedras Blancas e, na volta, se o tempo melhorasse ainda mais, subiríamos até o ultimo mirador, na laguna de los três.


      Caminhamos cerca de meia hora em direção ao mirador Piedras Blancas, sacamos algumas fotos da trilha. Quando ela começou a se afastar decidimos voltar a bifurcação. O Fitz Roy continuava do mesmo jeito, parcialmente encoberto. Fizemos um lanche, seguimos ao campamento Poincenot e nada, nenhuma mudança. Então finalmente decidimos voltar sem tentar a sorte na laguna de los três.
      Após ter regressado cerca de uma hora o céu ficou um pouco mais limpo e o Fitz Roy apareceu inteiro! Lamentei a nossa falta de fé. Teria chegado ao topo (laguna de los três) pouco depois do tempo abrir.
      Continuamos voltando (agora sem neve) até o primeiro mirador e o visual havia mudado totalmente. O Fitz Roy estava visível e fizemos algumas fotos de consolação antes de retornar a El Chalten.


     No fim da trilha visitamos a panaderia los Salteños (primeira edificação para quem volta a cidade) e compramos empanadas (AR$4) e medialunas (AR$2) para o lanche da tarde e café da manhã no dia seguinte (total: AR$24).
      A noite, após um banho e um cochilo jantamos no restaurante La Tapera.

      La Tapera – Preços (total AR$220):
·         Bifes de Chorizo + acompanhamento> AR$72 (por pessoa)
·         Vinho: AR$64
·         Água: AR$12

      Lição do dia: O tempo pode mudar a qualquer hora. Leve todos os agasalhos que possa precisar e não desista das trilhas.

Abraços
Thiago Rulius

El Chalten

A Cidade

      
      El Chalten é considerada por muitos a capital argentina do trekking. Não sei se este título é oficial, mas independente de ser verdade ou mentira, a cidade de 500 habitantes (segundo um guia de viagem de 2008) merece a fama.
      A forma mais simples de chegar a El Chalten é a partir de El Calafate, onde existem ônibus diários, em três horários diferentes (manhã, tarde e fim de tarde). Foi assim que fizemos, pegando o ônibus da tarde e chegando a cidade após cerca de três horas de viagem, com o dia ainda claro.



      Ao chegar a cidade, os ônibus fazem uma parada no posto de informações turísticas da cidade, onde os turistas recebem orientações relacionadas ao parque nacional Los Glaciares (o mesmo parque onde está o Glaciar Perito Moreno, ao sul) e um mapa com todos as trilhas da região. Também fornecem dicas dos passeios, como fazer caso se encontre um puma na trilha, além de recomendações para preservar a fauna e flora local.
      Após a apresentação, fomos deixados na recém construída rodoviária de El Chalten, próxima ao portal de entrada da cidade, de onde partimos a procura de alojamento. É possível conseguir lugar em dormitórios mais simples na cidade por AR$40 (hostel Marconi) ou AR$45 (La Nativa). No nosso caso, queríamos alguma privacidade depois de todos os dias no parque Torres Del Paine e reservamos um quarto para casal no residencial Mi Rincon (pagando caros AR$220 pela diária).
      Caminhamos um pouco pela cidade, que é pequena, plana e muito agradável, com alguns restaurantes bem transados. Jantamos no restaurante Pangea, e comemos um delicioso bife de chorizo acompanhado de salada e purê gratinado (muito bom!). Mesmo não ventando tanto, o frio desta primeira noite foi de rachar (chegando a nevar)!

Custos
  • Ônibus Calafate / El Chalten: AR$180 (ida e volta por pessoa – volta em aberto)
  • Restaurante Pangea: AR$212 (vinho AR80, água AR$12, bife chorizo AR$55, purê gratinado AR$30, salada AR$35).
  • Supermercado El Chalten: AR$26 (água 2L AR$6, chá AR$6, salsicha c/6 AR$10, queijo e presunto AR$8, pães de sal c/7 AR$6).
Abraços
Thiago Rulius

Torres del Paine - Circuito W - Parte 2

Terceiro dia: Campamento Italiano - Refúgio Las Torres


      Havíamos colocado os relógios para despertar, pois queríamos acordar cedo, desmontar acampamento e partir com as cargueiras para chegar ao campamento las torres. Assim, foi decepcionante acordar e ver que chovia.
      Ficamos mais uma hora na cama e decidimos tomar café para adiantar as coisas caso a chuva parasse. A chuva amainou um pouco e juntamos tudo e partimos, mas somente saímos as 12:00. Começamos bem, com rendimento razoável, e só fizemos uma parada mais longa a beira do lado Nordenskjold, para descansar o corpo. Seguimos em frente chegando ao campamento los Cuernos as 14:20. O problema era que estava muito cedo para parar e tarde para seguir até o campamento las torres e montar barraca. Apesar de termos gostado do los Cuernos (locais reservados para barracas e banhos de água quente), queríamos seguir adiante. Tive a idéia de dormirmos no refúgio torres, pois assim se chegássemos tarde não teríamos de montar acampamento nem desmontá-lo na volta do passeio no dia seguinte. Então combinamos que, se fosse possível reservar o refúgio las Torres a partir do los Cuernos seguiríamos caminhando imediatamente para lá. Se não fosse possível acamparíamos no los Cuernos (o refúgio e camping chileno haviam fechado no dia anterior). Falamos com o atendente e ele conseguiu a reserva, então seguimos com as cargueiras por mais cerca de 13km.


      Este trecho foi interminável, muito cansativo devido ao peso. A barraca amarrada sob a mochila desestabilizava-a e deixava-a muito pesada. Chegamos (eu me arrastando) as refúgio quase as 20:00, esgotado. Finalmente tomamos um banho, após 3 dias. Procuramos lugar para cozinhar e só havia uma mesa do lado de fora do refúgio, no frio, com vento e sem luz. A outra opção era seguir até o camping, onde poderíamos cozinhar mais bem instalados, segundo nos disseram (revoltante!). Não encontramos a lanterna e acabamos comendo uma porção e tomando um vinho (muito barato) no próprio refúgio. Foi uma noite ótima para recuperar as energias para o ultimo dia.

Preços:
·         Refugio las Torres: CH$23.000 (por pessoa)
·         Porção (boi, frango, salsicha, picles, tomate, abacate, cebola) + molhos: CH$7.500
·         Vinho chileno: CH$6.000
·         Água: CH$500

OBS: O Refúgio fica cerca de 2km fora do circuito W. Acrescente esta distância ao calcular o tempo e a pernada Cuernos / Las Torres ou mirador Las Torres / refúgio Las Torres.

Quarto dia: Refúgio Las Torres - Mirador Las Torres - Puerto Natales


      O plano de dormir no refúgio deu certo e as 08:40, pouco depois do amanhecer, saíamos para a trilha que leva ao mirador las Torres, ultima perna do circuito W. Tomamos um café da manhã improvisado na trilha, logo após a ponte pênsil, bebendo água do rio. Como não havia modo de fazer algo quente no refúgio, apenas improvisamos algo por ali. O tempo estava feio e caía uma chuva fina, dando a impressão de que não conseguiríamos ver as torres del paine no fim da trilha. Continuamos o caminho por uma longa subida (esta trilha é a mais pesada de todo o circuito W), quando finalmente passamos a descer em direção ao refugio e camping chileno, sob ventos muito fortes e até mesmo perigosos. Neste trecho os bastões foram bastante úteis, mas deve-se considerar também quantos levar. Para mim, um único bastão é suficiente. Minha esposa gostou de usar dois, para dar também equilíbrio.
      Após passar o refúgio chileno a trilha se torna mais suave por algum tempo, passando por bosques, pontes e veios d’água. Após este trecho, a trilha se divide: pode-se seguir ao campamento torres ou subir direto ao mirador, em um trecho longo e bastante inclinado. Subimos, sob chuva e fortes ventos. A subida não rende e demoramos bastante para alcançar o topo. Finalmente chegamos, sob um frio congelante, e conseguimos ver as torres, apesar de enevoadas. Batemos várias fotos, inclusive de outras pessoas (e eles de nós) e após vinte minutos iniciamos a descida. Estávamos congelando.
      O trecho de ida foi feito em 03:40 desde o refúgio, então sabíamos que a volta seria mais rápida. Imprimimos um bom ritmo, e fizemos apenas uma parada mais longa para lanche. Pretendíamos pegar o transporte do refúgio para laguna amarga as 16:00, sem ter de esperar o ultimo transporte do refugio, as 19:30.
      Quando chegávamos ao refugio as 16:00 em ponto, vi o transporte se aproximar e fiz sinal. Pedi que nos esperassem por dois minutos para buscarmos as mochilas. Eles esperaram e fomos para laguna amarga as 16:00 (preço do ônibus refugio – laguna amarga: CH$2.500 por pessoa). Cerca de 15 minutos e já estávamos lá. Fui até a recepção do parque e me disseram não haver mais ônibus a tarde para Puerto Natales desde 01/04, agora somente as 08:00 da manhã. Por sorte, havia uma van de excursão ali e fomos com eles pagando os mesmos CH$7.000 do ônibus. O motorista nos avisou que nos deixaria em uma cafeteria ao lado da fronteira (aduana chilena) e atravessaria ao outro lado para levar parte dos turistas que seguiriam depois em outro veículo para El Calafate. Ficamos desconfiados mas aceitamos, por falta de opção.
      A van partiu e lá estavam os guanacos, as dezenas, a beira da estrada. Desta vez vimos também algumas emas (chamadas de ñandu por lá) passeando por ali. Uma pena que não tenhamos encontrado estes animais durante nossos dias de trekking. O único animal que podemos notar durante o W foi o que arrombou nosso lixo durante a noite no campamento italiano.
      Descemos da van em um café junto a fronteira e ficamos esperando o retorno da van. Nós, alguns poucos idosos e um chileno metido a bonitão, mas que além de feio demais era o cara mais barango que já vi. O tempo foi passando e nada do sujeito voltar com a van. E o pior, as cargueiras ficaram com ele (burrada minha), tínhamos apenas as identidades, dinheiro e roupas de frio para uso imediato conosco, em nossas bagagens de mão.
      Finalmente, após cerca de uma hora o sujeito reaparece em outro carro com nossas mochilas e seguimos viagem, aliviados. Eles nos deixaram em frente ao hostel Patagônia Adventure, na plaza de Puerto Natales. A agência desse pessoal era a Always Glaciares.
      De volta ao albergue, registramos entrada e ficamos em uma habitação matrimonial (com cama de casal), além de calefação por CH$20.000 (contra CH$16.000 das duas camas em quarto compartido), devolvemos os bastões e compramos ali mesmo as passagens para El Calafate na manhã seguinte. Gostamos desse hostel, tem boas camas e oferece muitos serviços, permitindo economia de tempo de viagem. Enquanto minha esposa tomava banho, devolvi a barraca na loja Teresa, que tem ótimos preços e aceitou a CNH como garantia da barraca (não deixe a identidade como garantia, pois precisará dela para se registrar nos refúgios e para entrar no TDP). Eles nem mesmo olharam se a barraca estava ok, e cobraram somente as noites, e não os dias. Detalhe: São bem mais baratos que a casa Cecília, recomendada por vários mochileiros.
      Tudo resolvido, tomei um bom banho quente e saímos para comer um hambúrguer. Comemos a apenas uma quadra de onde estávamos, na lanchonete Masay, uma hamburguesa completa (e pedimos para incluir ovo, que não fazia parte do sanduba). O sanduíche era enorme, com um pão diferente dos nossos, e no recheio, além dos tradicionais carne, queijo, alface, tomate e presunto havia também abacate. Muito bom.
      Fomos dormir felizes com a conclusão da etapa chilena da viagem. Deu tudo certo.

Preços
·         Transporte refúgio Las Torres / Laguna Amarga: CH$2.500
·         Van TDP / Puerto Natales: CH$7.000
·         Barraca Doite Pro Teide 2: CH$14.000 (CH$3.500 por noite)
·         Bastões (2 pares): CH$20.000 (CH$2.000 a diária do par)
·         Hostel Patagonia Adventure (quarto casal): CH$20.000
·         Ônibus Pacheco Puerto Natales / El Calafate: CH$12.000
Preços lanchonete Masay
·         Hamburguesa Completa (gigante): CH$5.150
·         Acréscimo Ovo: CH$600
·         Coca cola 290ml: CH$1.000
·         Suco: CH$1.000

Abraços
Thiago Rulius

Torres del Paine - Circuito W - Parte 1

Primeiro dia: Paine Grande - Glaciar Grey - Campamento Italiano


      Começamos o circuito W! Saímos cerca de 09:30 do refúgio Paine Grande, após deixar as mochilas no improvisado “depósito de equipaje” e fazer nosso café na “cozinha” liberada para hóspedes. Seguimos a trilha para o glaciar Grey, inicialmente queimada até alcançarmos a bonita laguna dos patos, sob muito vento. A partir dali a trilha se torna mais agradável, já que a vegetação está menos comprometida. Com 1:55 de caminhada chegamos ao mirador Grey, ponto alto desta perna do W. Paramos para sacar fotos apenas por alguns minutos, pois ficar parado muito tempo significa esfriar o corpo e as mãos. Seguimos adiante por mais de uma hora, sem muita mudança na paisagem, apenas a lenta aproximação do glaciar. Cerca de quinhentos metros após a travessia sobre o caudaloso rio Olguin, sem perspectivas de ver alguma novidade e com a intenção de dormir no campamento Italiano (e de não pagar novamente o refúgio Paine Grande), retornamos, chegando ao refugio as 16:00, debaixo de chuva. Creio que com menos de meia hora atingiríamos o fim desta perna do W. O sol que havia aparecido mais cedo sobre o glaciar Grey havia ido embora, e não voltou naquele dia. Vestimos os anoraks e as capas de chuva nas cargueiras e partimos para o Italiano as 16:30 (estava anoitecendo entre 19:30 e 20:00). Como a trilha Paine Grande – Italiano é a única considerada de nível fácil pelo mapa oficial do parque, acreditamos não haver dificuldade em vencê-la. Porém, subestimamos a chuva, o cansaço dos cerca de 20km já caminhados e o peso das cargueiras. Com uma hora e quinze de caminhada para o Italiano encontramos um Guarda-parque na trilha, que nos deu uma colada por termos entrado na trilha demasiado tarde. Seguimos penosamente sob chuva e chegamos ao Italiano as 19:10, tendo ainda de montar acampamento. Arrumamos tudo no menor tempo possível, debaixo de chuva, e entramos para dentro da barraca. Eu estava congelando e com muito frio, e fui logo colocar roupas secas. Um Guarda-parque havia pedido que registrássemos entrada assim que montássemos acampamento, o que acabamos não fazendo. Simplesmente entramos nos sacos de dormir naquele mesmo instante, sem comer, escovar os dentes ou qualquer outra coisa. Estávamos exaustos.

Segundo Dia: Campamento Italiano - Valle del Francês - Campamento Italiano


      Acordamos cedo, mas como chovia ficamos muito tempo na barraca. Finalmente saímos para cuidar da higiene pessoal e fazer o café. O campamento (assim mesmo, sem o a) Italiano tem banheiros (somente vasos sanitários - estavam limpos), uma bica d’água e uma cozinha, que na verdade é um cômodo rústico e sem luz com chão de terra e sempre emporcalhado pelos viajantes. Eu tinha algum receio do campamento Italiano, já havia lido comentários ruins na internet, mas gostamos de lá. O lugar é muito bacana, dentro de um bosque com o rio correndo ao lado. Além disso, o fato de ser uma área arborizada torna o camping bem protegido do vento.


      Após o café (muito tarde), finalmente saímos para conhecer o Valle Francês. Após um trecho enjoado de trilha sobre pedras o caminho se torna muito prazeroso, com trechos longos sob os belos bosques de lengas (espécie de conífera) do parque. O sol apareceu, deixando o dia perfeito. Após parada para fotos no mirador francês seguimos adiante, e chegamos ao campamento britânico, que está fechado para acampar (talvez por não ter estrutura alguma), mas que achei muito bacana e astral, é como um campamento italiano mais agreste. Depois subimos até o mirador britânico e conseguimos ótimas fotos das montanhas circundantes, com bonita vista. Como estávamos sem as cargueiras, conseguimos completar as trilhas abaixo do tempo estimado no mapa do parque, a volta mais rápida que a ida. Retornamos no fim da tarde, com o dia ainda claro e fizemos uma janta antes de voltar para a barraca para a segunda noite no campamento italiano.





Abraços
Thiago Rulius

Torres del Paine - Chegada ao parque


    Após o café básico do hostel de Puerto Natales, ficamos aguardando o ônibus que nos levaria ao parque TDP até cerca de 08:20. O ônibus da companhia buses Gomez nos pegou no hostel, e então seguimos viagem.
    Seguimos por um trecho, e então o ônibus parou em um café a beira da estrada para que tentassem nos empurrar algo e depois seguimos viagem.
    Assim que o asfalto acabou e começou a estrada de rípio (uma espécie de cascalho), a viagem se tornou mais interessante: enquanto as montanhas do parque se aproximavam, víamos também dezenas de guanacos pastando sossegados a beira da estrada. Pouco depois o ônibus parou no mirador laguna amarga para uma sessão de fotos, com as montanhas do parque e as águas de um verde intenso a frente (lugar muito bonito). Seguimos então para a portaria para registrar a entrada e pagar os CH$15.000 por pessoa, recebendo então um mapa do parque. Parte dos passageiros ficou por aqui, aqueles que fariam o circuito O, passeios de um dia ao mirador las torres ou que começariam o circuito W por esta perna. Embarcamos no ônibus novamente, pois faríamos o circuito W a partir do refúgio Paine Grande, tendo de desembarcar na guardería (que não tem guardas) Pudeto, após uma nova parada do ônibus no mirador Nordenskjold. A idéia era pegar o Catamarã das 18:00, conhecendo antes o Salto Grande (cachoeira) e o mirador Cuernos. Mas como as mochilas ficariam simplesmente largadas ali, do lado de fora de um café, sem ninguém zelando por elas, decidimos pegar o catamarã das 12:00, chegando ao refúgio Paine Grande as 12:30. Registramos nossa entrada e fomos bater perna até o mirador Pehoé (1:30 por trecho – ida ou volta – de acordo com o mapa fornecido no parque. Fizemos em 1:20 e 1:10, respectivamente). Com exceção de uma nuvem negra sobre o Paine Grande, o tempo estava bonito, com os Cuernos ensolarados por todo o tempo (foto acima). A caminhada até o mirador Pehoé não foi tão agradável, pois o trecho venta demais, e está completamente arrasado pelo incêndio ocorrido no fim de 2011. Para quem pretende caminhar este trecho, óculos são essenciais para proteger os olhos dos ciscos das queimadas levantados pelo vento.

    O Refugio Paine Grande (foto ao lado), apesar do alto preço cobrado, não estava fornecendo banho quente. Para cozinhar, eles disponibilizam um quiosque do lado de fora do refúgio, protegido do vento. O lugar tem um tanque e algumas mesas. Como não se paga para utilizar esta “cozinha”, ela está largada, suja e sem nenhuma manutenção. Resumo: O refúgio não vale os cerca de R$50 por pessoa de jeito nenhum. Não é a toa que estava vazio. Porém, enquanto o camping Paine Grande não for reaberto, não existem muitas opções, já que ir e voltar até o campamento Grey (11km o trecho) é uma grande pernada para fazer com as cargueiras, e o campamento Italiano, o mais próximo, fica para o lado oposto ao Grey. Continuamos com o propósito de dormir no Italiano na próxima noite e não ser mais extorquidos ali.

Abraços
Thiago Rulius

domingo, 29 de abril de 2012

Puerto Natales


    Para quem vai ao parque Torres Del Paine, atração maior da patagônia chilena, a cidade de Puerto Natales é o ponto de partida para esta empreitada. Não que ela seja parada obrigatória. É possível ir diretamente de El Calafate ao Torres Del Paine (TDP). No nosso caso, passamos por lá, e não me arrependo.
    Se você pretende fazer o circuito W em TDP, e vai iniciar sua caminhada refúgio Paine Grande, atravessando de Catamaran, precisará considerar isto ao sair diretamente de El Calafate (se os horários coincidem). Outra vantagem é fazer as compras de alimentos por lá, já que muitos produtos (não industrializados) não podem ser levados de outros países para o Chile.
    Nós decidimos passar em Puerto Natales e resolvemos várias pendências por lá: compramos os alimentos que faltavam para levar ao parque, compramos um refil de gás para o nosso fogareiro (que não pode ser levado de avião), alugamos barraca e bastões de caminhada, e reservamos lugar no refúgio Paine Grande de TDP, visto que o acampamento Paine Grande está fechado desde o incêndio ocorrido no fim de 2011.
    Infelizmente nossa passagem pela cidade foi muito rápida, menos de um dia em cada visita (antes e depois do parque), e não tivemos oportunidade de conhecer os restaurantes ou de dar uma volta a noite. Apenas caminhamos um pouco mais para procurar equipamentos para alugar, e pudemos constatar que os ventos na parte da cidade próxima ao mar é muito forte, deixando o lugar pouco agradável para fazer qualquer coisa no tempo. Quando voltamos comemos hambúrgueres na lanchonete Masay, que recomendo. O sanduíche é gigante, feito em um pão muito gostoso e que leva, além dos ingredientes comuns que estamos acostumados, abacate. Uma delícia!
    Para alugar equipamento, o pessoal do fórum mochileiros recomenda com freqüência o residencial casa Cecília. Lugar bacana, porém achamos um pouco caro. Alugamos nossa barraca na loja Teresa (CH$3.500 por noite na barraca Doite Pro Teide 2), e os bastões no patagônia Adventure (CH$2.000 a diária para cada par). No refil de gás pagamos CH$2.000.

Endereços:
•    Loja Teresa: Calle A. Prat, entre Av. Manuel Bulnes e Calle Eberhard.
•    Casa Cecilia: Calle Tomas Rogers, entre Calle Bories e Calle Senoret
•    Patagonia Adventure: Calle Tomas Rogers, entre Calle Bories e Calle Eberhard.
•    Lanchonete Masay: Av. Manuel Bulnes, esquina com Calle Tomas Rogers.

Abraços
Thiago Rulius

quarta-feira, 25 de abril de 2012

El Calafate e Glaciar Perito Moreno


Chegada em El Calafate


Saímos as 06:30 de Belo horizonte, e depois de passar todo o dia em aviões e aeroportos aterrissamos em El Calafate, cerca de 19:30. Enquanto olhávamos os preços de taxi e ônibus para a cidade (o aeroporto fica a mais de 20km da cidade) duas francesas apareceram no guichê do táxi, e perguntei a elas se não queriam dividir o taxi. Elas toparam e fomos embora.
Já havia feito a reserva das primeiras duas noites via internet, para não ter de ficar batendo perna atrás de hotel com mochila pesada nas costas, após 13 horas de viagem.
Chegamos, tomamos banho e saímos para jantar, já que estávamos sem almoço. Fomos ao restaurante Pura Vida, e adotamos a mesma tática que usávamos em nossa ultima visita a Argentina: pedíamos apenas uma carne (teoricamente um prato individual) e acrescentávamos uma salada e um outro acompanhamento, e então dividíamos a comida para dois. Isso barateia o jantar e você come salada, e não somente carne. Claro, pedimos um vinho para acompanhar o jantar, primeiro pela ocasião, mas também pelo preço super em conta por lá.

Custos
·         Taxi Aeroporto/El Calafate: AR$120 (como dividimos pagamos AR$60). A volta é mais barata, AR$80.
·         Ônibus Aeroporto/El Calafate: AR$38/AR$25 por pessoa (ida/volta).
·         Jantar: Cazuela de Cordeiro + Ensalada Completa + Vinho Postales do Fin Del Mundo + Água: AR$185.
·         Água 500ml: AR$6
·         Locutório (telefone para Brasil): AR$4,20 (minuto). Depois descobrimos outro mais barato, cerca de AR$1,15 (minuto).


Parque Los Glaciares - Glaciar Perito Moreno

                Dia de conhecer o parque nacional Los Glaciares. Sua parte sul, onde está o glaciar Perito Moreno, tem acesso a partir de El Calafate, e é a sua principal atração. A cidade inteira vende passeios para lá, inclusive os hostels (albergues), hotéis e agencias de turismo espalhadas por toda a cidade. Como chegamos tarde no dia anterior contratamos direto na pousada, para não correr o risco de perder este dia caso não conseguíssemos transporte para o parque. Resultado: pagamos AR$100 por pessoa pelo transporte de ida + volta, quando comprando direto na rodoviária o preço era de AR$60 pelo mesmo serviço.
                O ônibus partiu cedo, e logo estávamos desembarcando para pagar a entrada do parque, AR$70 por pessoa. Esqueci de perguntar se MERCOSUL tinha desconto, era possível que sim (já que no parque nacional Tierra Del Fuego há desconto). Voltamos para o onibus e seguimos adiante.
                Em um determinado momento é possível ver o glaciar a distância, de dentro no ônibus, visão que causa certa excitação no povo. Muita gente tirou fotos de dentro do ônibus, acho que a gente também, mas não é uma grande idéia, essas fotos sempre ficam péssimas.


                Mais um pouco e o ônibus para em um ponto intermediário, onde é possível pegar um barco e navegar até próximo ao glaciar, podendo vê-lo por outra perspectiva, diferente das passarelas do parque. Este passeio tem o custo de AR$70 por pessoa, e não é essencial se você está com o orçamento apertado, mas se puder fazer, acho que vale a pena. A duração é de cerca de cinqüenta minutos. Os interessados no passeio de barco apearam ali, e o ônibus seguiu para as passarelas com os demais turistas, voltando depois para buscar os que ficaram.
                Após o passeio de barco, onde podemos ver as geleiras de baixo e com boa proximidade, seguimos para as passarelas. O ponto de desembarque é exatamente em frente ao inicio das passarelas. Após uma visita rápida ao banheiro começamos o passeio, debaixo de uma fina garoa.

                O passeio é bem tranqüilo, e qualquer pessoa, de qualquer idade, pode percorrer as passarelas. A única restrição de acesso a parte destas passarelas são para aquelas pessoas que não podem com escadas, pois alguns dos caminhos têm dezenas (ou talvez centenas) de degraus. Mas para as pessoas com esta restrição, ainda será possível caminhar um pouco e admirar o glaciar dos mirantes superiores.
                Caminhamos por todas as passarelas, deixando de lado apenas aquelas que se afastavam e não davam muita vista para o glaciar, descendo quase ao nível do lago (mas talvez aqueles que não fizeram o passeio de barco devam caminhar também nesta passarela baixa). Passeamos durante o resto da manhã e durante boa parte da tarde, admirando aquele gelo azul, ouvindo os impressionantes barulhos causados pelas rachaduras e quedas do gelo que se desprendia do glaciar. É um espetáculo da natureza.
                Tomamos um café para esquentar (há uma cafeteria junto ao ponto de desembarque do ônibus) e descansar um pouco, e comemos um sanduíche, já que estávamos sem almoço. Foi muito bom para aquecer e matar a fome, mas pode valer a pena levar um lanche (teve gente levando chimarrão) pois as coisas na cafeteria são caras.
             De volta a cidade, era hora de mais um jantar, e voltamos ao restaurante Pura Vida. No dia seguinte partiríamos para o Chile. Seguiríamos para Puerto Natales, onde faríamos os últimos preparativos para conhecer o parque nacional Torres Del Paine.

                Custos
·         Ônibus El Calafate/Puerto Natales: AR$110 por pessoa (Buses Pacheco). Horário: 11:00, com opção as 08:00 por outra companhia. A viagem inclui um lanche (suco + biscoito salgado + barra cereal)
·         Jantar: AR$113 (Jantar, Água e Quilmes 500ml)
·         Preços de Supermercado em El Calafate: Água 1,5L: AR$6; Leite em Pó 200grs: AR$15,40; Pão p/hambúrguer c/4: AR$8; Bananas c/5: AR$10; Presunto (4 fatias) + Queijo (8 fatias): AR$16; Suco 200ml (caixa): AR$3; Maionese Sachê AR$0,50 cada.

Em breve posts de Torres del Paine, El Chalten e Ushuaia.

Abraços.
Thiago Rulius