domingo, 16 de junho de 2013

Rio de Janeiro - Cultura e praia

Vista do Pão de Açucar. A visibilidade não estava das melhores

Finalmente voltei ao Rio. Tinha ido até a cidade uma unica vez, em uma excursão bate e volta, de ônibus, para assistir a Plebe Rude na terceira edição do Rock in Rio. Daquela viagem eu trouxe a experiência de ir a um show com publico próximo a duzentas mil pessoas e uma hepatite que me deixou de molho no carvanal daquele ano. Mas do Rio mesmo, eu não trouxe nada. Só que agora finalmente pude conhecer um pouco da mais famosa das nossas cidades.

Seriam apenas três dias, e queria, na medida do possível, dividir o tempo entre cultura e praia, e o dia da chegada ficou para a cultura. Depois de deixar as malas no hotel, seguimos de metrô até a estação candelária. Desembarcamos praticamente na porta do MNBA, ou Museu Nacional de Belas Artes, para onde fomos logo após almoçar no famoso e meia-boca bar amarelinho, que também fica ali.

Museu Nacional de Belas Artes
Estava ansioso para ver pessoalmente a impressionante coleção de obras do século XIX, com pinturas de Belmiro de Almeida, Vitor Meirelles e Rodolfo Amoedo. Algumas telas darão ao visitante a sensação de já serem velhas conhecidas, e não por acaso. Telas como Primeira missa no Brasil (Vitor Meirelles) e Batalha no Avaí (Pedro Américo) costumam, ou costumavam, ilustrar nossos livros de história. No caso da batalha do Avaí, o tamanho da tela é impressionante: 11x6m. Se você é um aficionado por pintura e escultura, programe meio dia para conhecer este museu, com as galerias dos séculos XIX, XX e XXI. E acredite: o tempo será curto.

Teatro Municipal
Ao lado do museu, visitamos o Teatro Municipal. O lugar é muito bonito, e parte das explicações dos guias tem algum interesse histórico. O prédio foi restaurado não faz muito tempo, e a maioria dos ambientes mostrados estão bem conservados. Existem pinturas e vitrais belissímos no interior do edifício, além das escadarias e esculturas. Um passeio muito interessante, mas que não dá acesso a todo o prédio, e por ser uma visita guiada, não lhe permite explorar o prédio no seu próprio tempo, o que é sempre muito chato. Para quem tem esta possibilidade, melhor seria conhecer o teatro indo a um espetáculo. Mas se não for possível, esta visita guiada quebra o galho. Se você pretende assistir a um espetáculo por lá, melhor reservar com antecedência.

Para fechar o dia, um café na tradicional Confeitaria Colombo. Lugar bonito e aconchegante, mas não muito barato e nem muito gostoso. Vale mais pelo ambiente que pela comida. Se voltar para lá me contento só com um café e mais nada.

Vista do Pão de Açucar
No dia seguinte fomos para a zona sul, lado oposto ao centro para quem está no Flamengo. Seguimos de onibus para a Urca, onde subiríamos o famoso bondinho do pão de açucar. Mais turístico, impossível, mas já que não iria até o Cristo devido a baixa visibilidade (mesmo com o dia relativamente ensolarado) não queria perder o segundo mirante da cidade. Não me arrependo. A vista é muito bonita mesmo do morro da Urca, onde o bonde faz sua primeira parada. Também vale andar por aqui antes de subir até a estação mais alta: o espaço é maior que no pão de açucar e com locais com cadeiras e mesas para descanso e contemplação. Depois de aproveitar o morro da urca, é hora de subir para o ponto mais alto do passeio e aproveitar a vista. Para quem quiser mais, dá para fazer uma caminhada que eles chamam "bosque", também no pão de açucar. O início da trilha fica bem próxima ao local de embarque do bondinho.

Subir o pão de açucar é um passeio bacana, apesar de caro (veja detalhes técnicos no fim do artigo). Mas vale a pena, pelo menos uma vez. E deixo uma dica: chegue cedo, porque com o passar das horas as filas aumentam muito, e o lugar fica tão cheio que vai ser dificil sair em uma foto sozinho, além do tempo perdido esperando a sua vez de subir.

Um pouco de praia


Praia de Ipanema
Resolvemos então descansar em uma das praias do Rio. Deixamos o Pão de açucar próximo ao meio dia e seguimos para as praias da zona sul. Existem onibus diretos a partir dali. Passamos direto por Copacabana e descemos em Ipanema. A idéia era pegar uma tarde de praia e depois voltar parte do caminho pelas praias em direção ao Flamengo, onde estávamos hospedados.

Ficamos na barraca do Uruguai. Por conhecer o Uruguai, achei que seria legal ficar na barraca e ver se tinham algo tipico para nos servir (e acabei comendo uma espécia de choripán - pão com linguiça, cebola e molho chimichurri). Ficamos por lá, alugamos cadeiras e guarda-sol, o que rola fácil em qualquer barraca por ali. Passamos uma tarde agradável na praia, que estava relativamente cheia mas sem tumulto. Foi uma tarde agradável e uma ótima idéia para descanso, o que é sempre bom no meio de uma viagem onde as vezes ficamos procurando conhecer coisas demais e acabos nos estressando.

No fim da tarde saímos caminhando para uma rápida olhada na lagoa Rodrigo de Freitas (não me impressionou) e terminamos a caminhada comendo uma moqueca no restaurante Peixe-Vivo em Copacabana, já de noite. Depois da comilança fora de hora, desistimos de conhecer a Lapa, o programa noturno que estava planejado para aquela noite e que ficou para a próxima viagem.

Ultimo dia: Cultura e praia.


Praia de Copacabana
Como não deu para ver Copacabana no dia anterior, voltamos para lá no domingo de manhã. pegamos o metrô no Flamengo e chegamos a praia passando ao lado do Copacabana Palace. Uma curta caminhada e repetimos a estratégia do dia anterior. Cadeiras e guarda-sol alugados e mais algumas horas de ócio dos bons. As maiores diferenças das vizinhas Ipanema e Copacabana: Preços (Copacabana é mais barato, ou a barraca do Uruguai é que era cara demais) e o mar (que pareceu mais perigoso em Copacabana).

Palácio do Catete

Os jardins do palácio do Catete
A tarde, nossa ultima parada antes de voltar para casa. Palácio do Catete, onde moraram vários presidentes da república e onde se matou Getulio Vargas. Gostei mais deste passeio que da visita ao Teatro Municipal. Ambos os prédios são ricamente decorados, mas o palácio do Catete lhe permite explorar sem pressa, observando todos os detalhes: Maçanetas de formas elaboradas, pinturas e esculturas espalhados por todo o palácio, mobiliário de época e jardins maravilhosos, com pontes, lagos, coreto. Imperdível. Quanto ao quarto onde Getulio Vargas se matou, masmo que ache esse tipo de coisa meio lúgubre, vá sem medo. Não achei que o clima pesou tanto quanto outros lugares que visitei onde tragédias ocorreram no passado.

Então é isso: Se o Rio está perto de você, um período curto dá para conhecer muita coisa, e nem precisa correr tanto assim. Programe lugares próximos em um mesmo dia para não perder tempo com deslocamentos, pegue uma praia para relaxar e quando puder, volte para conhecer o que ficou para trás.

Abraços
Thiago Rulius

Informações


Museu Nacional de Belas Artes
Entrada: R$8 (inteira) ou R$4 (meia). Ou R$8 para famílias de até 4 pessoas.

Teatro Municipal: R$10 (inteira) ou R$5(meia) para visita guiada.
Agenda: http://www.theatromunicipal.rj.gov.br/

Confeitaria Colombo:
Salgados a partir de R$5,50.
Pastel de Belém: R$7,00.
Café expresso: R$4,50.

Pão de açucar:
Preços: R$53 (inteira) e R$26 (meia - somente para estudantes do RJ e idosos).

Praia de Ipanema (barraca do Uruguai):
Pão com linguiça: R$9
Cerveja e Coco: R$5
Cadeiras: R$5
Guarda-sol: R$10, mas deixaram por R$5.

Praia de Copacabana (barraca a esquerda do Copacabana Palace e em frente ao posto Salva Vidas):
Cerveja e Coco: R$4
Cadeiras: R$3
Guarda-sol: R$3

Palácio do Catete
Acesso pelo metrô, estação Catete.
Grátis aos domingos.

domingo, 21 de abril de 2013

Parque Estadual do Itacolomi

Chegando ao pico do Itacolomi
Um belo parque com uma trilha que segue por trechos de Mata Atlântica e Campos rupestres rumo ao pico do Itacolomi. Bom para quem quer apenas passar um dia (ou fim de semana) em contato com a natureza, há menos de duas horas de Belo Horizonte e colado na histórica Ouro Preto.

Ficamos um fim de semana por lá, acampando. Apesar de ficar tão perto de casa (pouco mais de 100km de BH) e da antiga vontade de subir até o pico do Itacolomi, ainda não conhecia o parque.

Centro de visitantes

O acesso não podia ser mais fácil: A entrada do parque está a poucos metros da MG-262, e pode ser vista desta estrada. Fica pouco depois do trevo para Lavras Novas (para quem vem no sentido BH - Mariana). Até este trevo a sinalização é deficiente (ou inexistente), mas logo depois as placas aparecem e não deixam duvidas do acesso ao parque.


Visual da trilha de acesso ao pico do Itacolomi

Para quem pretende subir o pico, principal atrativo do parque, é necessário chegar ao centro de visitantes - distante 5km da portaria por estrada de terra - pouco antes das 09:00, horário de partida deste passeio que é feito com o acompanhamento de guia ao custo de R$10 por pessoa. Se chegar cedo, aproveite para conhecer o centro de visitantes, que tem algum material interativo, como um aparelho para reproduzir os sons de alguns animais e uma maquete com as diversas atrações do parque e região.

Trilha rumo ao pico do Itacolomi
No dia que fizemos o passeio, fomos levados pelos guias em um carro do parque até o inicio da trilha (2km do centro de visitantes). A subida é feita em um tempo médio de uma hora e trinta minutos, variando de acordo com o preparo fisico de quem está subindo. Não deixem de levar garrafas de água e lanche para o parque, pois não estão a venda por lá e serão necessários durante o passeio. A subida até o pico é muito bonita, com trechos de mata atlântica e campos rupestres (que estavam floridos em alguns trechos quando passamos por lá). A vista por todo o trajeto é super bacana, podendo-se ver a sede do parque e seus lagos, o distrito de Lavras Novas, a cidade de Ouro Preto e a pedra do caraça. O pico do Itacolomi só se revela no fim da trilha, irreconhecível visto por trás, que é onde a trilha acaba. Não e possível ao turista comum subir até o topo da pedra, mas segundo me disseram existem vias de escalada por lá. Para quem é profissional neste esporte e quiser tentar a subida, é uma boa idéia contatar o pessoal do parque para maiores informações.
Lagoa da Capela - Para um banho após a trilha!

A descida, apesar de forçar um pouco os joelhos, é mais rápida. De volta a sede do parque, ainda é possível dar um mergulho na lagoa da capela antes de ir embora (você pode vestir sua roupa de banho no banheiro do centro de visitantes).

Para quem puder dormir por lá, o camping é muito bom, com banheiros estruturados e área de convivência super bem montada. Muito próximo fica uma área de convivência muito bem estruturada, com um lugar reservado para fogueira (se informe com os funcionários do parque). Nós dormimos por lá e gostamos muito. Apesar das duas cachoeiras citadas no centro de visitantes ainda não estarem disponíveis para visitação, existem outras trilhas mais curtas que podem ser feitas, além da possibilidade de visitar o museu do chá, a capela de São José e a casa bandeirista no dia seguinte, além da possibilidade de assistir ao pôr do sol no mirante do morro do cachorro.

Recomendo uma visita ao parque, talvez integrada com uma visita a cidade de Ouro Preto.

Se quiser fazer um passeio diferente em Ouro Preto experimente visitar as galerias de arte e ateliês da cidade. Você também pode visitá-la durante o Fórum das Letras, evento de literatura que rola por lá. Veja as resenhas deste evento em 2011 e 2012. Se quiser explorar um pouco mais a região, visite distritos como Glaura, ou a Chapada de Lavras Novas, com seus menos de 100 habitantes.


Abraços.
Thiago Rulius   

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Tabuleiro (Conceição do Mato Dentro)

Cachoeira de Tabuleiro


Já havia visitado a cachoeira do tabuleiro cerca de nove anos atrás. Ficamos encantados com a queda enorme (273 metros), a maior do Brasil fora da região da amazônia. Não tem como não ficar impressionado. Mas da outra vez, o nosso passeio se resumiu a isso. Não conhecemos outras cachoeiras, não nos hospedamos no vilarejo de tabuleiro (estávamos em Conceição do Mato Dentro, distante aproximados 17km). Então foi uma visita incompleta. esta vez acampamos por lá, conhecemos muito mais, e garanto: Tabuleiro (o distrito) tem programa para pelo menos uma semana, se você quer se aprofundar. Além dos passeios descritos abaixo, não conhecemos a cachoeira da fumaça e não visitamos a parte de cima das cachoeiras Rabo de Cavalo e Tabuleiro (necessário guia). Além do passeio mais famoso e atrativo: a travessia de Tabuleiro até Lapinha da Serra.

A única tristeza é que as cachoeiras e poços são tão grandes que simplesmente não conseguimos enquadrá-los de maneira decente nas fotografias. Peço desculpas pelas fotos abaixo, elas não mostram vinte por cento da beleza do lugar.

Bifurcação da estrada para Tabuleiro / Itacolomi

Parte inferior da cachoeira de Congonhas

Cachoeira Congonhas (cerca de 70m): cerca de 1h de caminhada. Após a entrada do poço Pari, continuar pela estrada de terra até encontrar uma porteira. Deixar o carro aí, atravessar a porteira e tomar a nova estrada de terra a esquerda. Após o cemitério (também a esquerda) continuar por alguns metros e entrar na porteira em frente a uma casa também a esquerda. A partir daí seguir a trilha que vai descer até o rio e depois o atravessar. Seguir por esta trilha até ver a cachoeira a esquerda. O paredão pode ser visto na bifurcação da trilha. Tem o poço mais raso, bom para quem tem medo de se afogar. Não paga entrada.

Poço Pari: Dentro da cidade. Caminhada curta. O posso é bonito e tem uma prainha de cascalho. Lugar sossegado, ideal para visitar no dia em que não há muito tempo disponível, como os dias de chegada e partida. O posso deve ter uns duzentos metros quadrados. Tem também uma pequena queda d'água. Pode ser cobrado R$5 por pessoa na entrada, mas quem está no camping Pari tem acesso livre.


Cachoeira do tabuleiro vista do início da trilha

Centro de visitantes do parque

Cachoeira Tabuleiro (273m): Cachoeira mais famosa da região, que pode ser vista da estrada de terra que dá acesso a portaria do parque. A cachoeira do tabuleiro está agora protegida dentro da área de um parque. A trilha foi facilitada nos ultimos anos no trecho afastado do rio, já que entalharam degraus nas pedras, facilitando o acesso. Apesar disso, não é caminhada para qualquer um. Quem não tiver costume ao menos de fazer algumas caminhadas pode sofrer para chegar, e mais ainda para voltar. Também não aconselho ir de chinelos, pois uma boa parte do trecho é ingreme, e a outra é feita pelas pedras no leito do rio. Sandálias para trekking ou tênis e botas seriam mais aconselháveis. Fizemos toda a trilha em 1:05, mas quem não tem preparo pode levar o dobro deste tempo. O paredão da cachoeira é muito bonito e o poço é enorme. Pode ventar bastante, então é melhor ficar em um local ensolarado, de preferência mais afastado da queda, para não ficar recebendo um spray de água praticamente ininterrupto. Não deixe para ir no fim da tarde, melhor ir cedo e aproveitar o dia. R$5 por pessoa.

Cachoeira Rabo de Cavalo

Cachoeira Rabo de cavalo (120m): Também está pretegida por um parque, mas o acesso é grátis. Para chegar, deve-se voltar pela estrada de terra em direção a Conceição do Mato Dentro por cerca de 5km, até encontrar a placa indicando o distrito de Itacolomi. Entrar por esta estrada, passar pelo distrito e seguir em frente, perguntando a todos qual o caminho, já que a sinalização é deficiente. O momento de maior duvida é em uma encruzilhada onde o lado direito tem uma ponte de concreto (que leva a cachoeira da fumaça) e a trilha da esquerda leva a cachoeira Rabo de Cavalo. Será necessário passar dentro de fazendas e tomar cuidado com as vacas na estrada. Pouco antes da chegada há um riozinho que talvez possa ser atravessado de carro, dependendo do volume de água. Se não for possível atravessar, deixe o carro no gramado antes do rio e prossiga caminhando, pois a portaria do parque está próxima (menos de 1km). Na portaria você prenche um formulário registrando a entrada e caminha por cerca de meia hora de trilha fácil até chegar a esta cachoeira maravilhosa. As três quedas que compõem esta cachoeira ficam visíveis da estrada, em um visual espetacular. É possível conhecer uma outra queda cerca de 400 metros acima da rabo de cavalo, mas é necessário um guia, já que o caminho é diferente. Na saída, tomar um caldo de cana na casa na portaria do parque. As pessoas que moram ali são muito humildes, não custa nada dar uma força para aquelas pessoas que, no final das contas, ajudam a vigiar aquele lugar maravilhoso. E além do mais, o caldo de cana gelado no fim da trilha vai muito bem.

Panorâmica da cachoeira Rabo de Cavalo


Alimentação:

- Café da manhã: Paradia da Netinha. Peça o pão na chapa com ovo e queijo, é uma delicia. A netinha é muito boazinha.
- Almoço: Restaurante Rupestre.

OBS: De Conceição do Mato Dentro ao distrito de Tabuleiro - Aprox. 17km, sendo 12km de terra.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Parque da Serra do Curral - BH



A coisa mais difícil para a turma que bate cartão é manter um blog de viagens com atualizações regulares. Afinal, só temos férias uma vez por ano (alguns tem duas), e nos finais de semana temos opções limitadas de passeios a fazer, devido ao tempo curto, que nos obriga a procurar destinos que não sejam muito longe de casa.

Neste post vamos apresentar o recém inaugurado parque Serra do Curral, que tem sua portaria no bairro Mangabeiras, próxima a Praça do Papa e parque das Mangabeiras. Uma opção muito legal para quem está com um dia livre no fim de semana e quer fazer uma boa caminhada e respirar um pouco de ar puro.


O principal atrativo do parque são os dez mirantes espalhados por um trajeto de 4000 metros. A maior parte deles tem placas com foto e indicação que ajudam a identificar vários atrativos turísticos de BH, como a lagoa da Pampulha, Mineirão e Parque municipal. Do outro lado, é possível ver Nova Lima e montanhas da região.

O acesso aos três primeiros mirantes ocorre nos primeiros 1700 metros de trilha, que podem ser percorridos por qualquer visitante. Os demais, somente podem ser visitados por aqueles que agendarem a caminhada “travessia da serra”, um pouco mais penosa para aqueles que não têm condicionamento físico, visto que o trajeto não é tão longo, mas a descida final da serra exige bastante dos joelhos e pernas.


Para quem faz a travessia, é necessário reservar no site do parque. São formados grupos de até quinze pessoas e o acompanhamento de guia é obrigatório. Com os guias temos a possibilidade de aprender um pouco sobre a cidade, além da fauna e flora do parque. Durante nosso passeio vimos um esquilo e um filhote de urubu.


Informações Técnicas

Localização: Av. José do Patrocínio Pontes, 1.951 - Praça Estado de Israel, bairro Mangabeiras.

Site:  http://www.parqueserradocurral.com.br/Localizacao.aspx

Preparação para travessia: Fazer a reserva no site, usar calçado apropriado e levar água e lanche. Máquina fotográfica é essencial.

No fim da travessia (que termina no parque das mangabeiras) um ônibus do parque levará todos os participantes de volta a portaria do parque Serra do Curral, onde os veículos foram deixados.

A visita ao parque é gratuita.

Abraços.
Thiago Rulius

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Arte em Ouro Preto


Quem acompanha o Viagem Independente já viu que boa parte das viagens relatadas aqui não tratam dos destinos mais comuns para o “grande publico”. Mas algumas vezes visitamos lugares onde todo mundo já gastou a sola do tênis. É o caso do destino deste post: Ouro Preto. Porém vamos dar um enfoque diferente a este post, ignorando as visitas as igrejas e focando apenas nos ateliês e galerias de arte da cidade.
 
Tela de Milton Passos

Já estive em Ouro Preto algumas vezes, e desta ultima estava por lá para participar do excelente evento literário Fórum das Letras, que estava acompanhando pela segunda vez (para ler uma resenha do evento escrita por mim, clique aqui). Mas como a programação do fórum não ocupa todo o dia, aproveitamos os momentos livres para conhecer um pouco da arte da cidade.

Eu já havia, previamente, feito um levantamento de alguns dos ateliês e galerias de arte da cidade, focando principalmente na região mais central, que pudesse ser visitada a pé. Tenho certeza que deixei ainda boas opções para trás, então peço a todo leitor que conheça ateliês e galerias não citados neste artigo, que comentem a matéria complementando as informações.

Não entendo absolutamente nada de escultura. Elas podem ser encontradas em parte dos estabelecimentos citados abaixo, mas vou focar especialmente nas pinturas, que tenho ao menos alguma noção.

Tela de Benedito
Galeria de Arte Relicário 1800 – Pode ser o ponto de partida do passeio, já que fica na Praça Tiradentes. É uma excelente galeria, a única com um ar mais profissional. Tem mais de cem telas expostas, a maioria de incontestável qualidade. O foco principal é a paisagem mineira. Você encontrará telas de vários artistas renomados, como Benedito Luizi, Wilson Vicente, Rubens Vargas, Cláudio Vinicius, entre outros. Além da paisagem é possível encontrar algumas telas abstratas ou de paisagens marinhas. O casario de Ouro Preto é retratado em parte das telas. A senhora Firmina, proprietária, me recebeu muito bem, batemos um bom papo por lá. Posso dizer que ela conhece muito e enriquece demais a visita. Seria capaz de passar toda a tarde em sua galeria batendo papo com ela. Mas tome cuidado se você não tem a intenção de comprar nada: a grande maioria das telas da galeria é de alto nível, e a dona Firmina é uma negociante que não perde um cliente com facilidade. Eu não pude deixar de sair com um quadro, e só não levei um segundo por falta de recursos, mas até hoje estou com uma tela do Benedito Luizi na cabeça. Classificação: imperdível. Praça Tiradentes, 114 – segundo andar – Tel. 3552-2536.

Galeria Casa de Artes – Lugar grande, com muitas obras expostas. Especializada em obras dos artistas da cidade ou arredores. Tem obras de vários estilos e para todos os bolsos. O atendimento é simpático, e o proprietário desde o início dá abertura para negociação de preços das obras. Não cheguei a progredir com nenhuma negociação, mas recordo ter gostado bastante das telas do artista Anderson Braga. Diferentemente da galeria Relicário 1800, aqui a maioria das telas não estão emolduradas, o que pode ser considerado em uma eventual comparação de valores das obras. O único ponto negativo é que parte das instalações são mal iluminadas, o que atrapalha a avaliação das telas. Classificação: Muito bom. Localização: Em frente a igreja São Francisco de Assis e logo abaixo da feirinha de pedra sabão.

Galeria de Arte do Marcelo – Infelizmente não sei o nome desta galeria, me esqueci de anotar e o Marcelo, que acabou de inaugurá-la, ainda não tinha cartões de visita. Em comparação com as galerias anteriores, esta galeria é bem mais modesta, com um numero bastante limitado de obras expostas. Apesar disso, o Marcelo tenta compensar com um excelente atendimento, sem fazer nenhuma pressão em relação a vendas. No caso das pinturas, os artistas com maior número de obras são o Edésio, de Mariana, com suas telas retratando Ouro Preto e arredores (geralmente em cenas com tempo fechado ou chuvoso – são telas muito bacanas) e a Zelli, que é parente dele. Os quadros dela são de paisagem, mas pintados de uma maneira menos realista. São bacanas e exclusivos desta galeria. Como a Zelli é parente do Marcelo, é possível que ele consiga flexibilizar um pouco mais os preços destas obras. A galeria tem também algumas esculturas e peças sacras. Classificação: Bom. O Marcelo compensa o ainda pequeno acervo com um atendimento de primeira. Localização: Rua da Conceição (continuação da rua do Aleijadinho), esquina com rua Felipe dos Santos. Melhor forma de chegar: Descer a rua São Francisco, conhecendo seus pequenos ateliês, e atravessar o beco em frente ao ateliê Entalhes e Pinturas. Saindo do beco estará de frente a galeria do Marcelo.

Ateliê Milton Passos – Quase de frente a igreja do Rosário, não está no centro da cidade, mas não fica longe (menos de 1km) e acreditem, após sair da rua direita, o trecho é praticamente plano. Todos os quadros que vi do Milton Passos retratam Ouro Preto, tanto em dias de sol quanto nos dias nublados e escuros. São belos quadros, que certamente vão agradar a quem quer levar uma imagem de Ouro Preto para casa. Classificação: Bom.

Ateliê Elias Layon – Fica entre a igreja do Rosário e o centro, na rua Getulio Vargas, muito próximo ao ateliê do Milton Passos. Infelizmente o ateliê estava fechado quando passei por lá. Ele funciona aos sábados, mas neste dia eles não puderam abrir (perguntei ao proprietário da loja em frente, que ligou para o pessoal do ateliê – ou o próprio artista, não sei – no ato). O tipo de pintura do Elias não é o que aprecio mais, mas foi uma pena não ter tido a chance de conhecer seu ateliê.

Ateliês da rua São Francisco – Muito próximos da praça Tiradentes, mas a rua são Francisco é uma ladeira razoável, então os menos preparados podem se cansar um pouco. São três ateliês, um logo no inicio da rua (topo do morro) e outros dois durante a descida (Edu Atelier e Entalhes e pinturas). Sinceramente não são muito atrativos, mas como são caminho para a galeria do Marcelo podem valer a pena. O melhor dos três e que vale a visita é o Entalhes e Pinturas, com algumas belas telas do Edésio de Mariana. Classificação: Regular.

Estes foram os ateliês e galerias que visitei. Claro, existem muitos outros. O próprio artista Anderson Braga, pelo que vi na internet, tem um ateliê no centro, e existem outros nos bairros vizinhos, e até um na rua Padre Rolim, por onde chegamos a cidade (quem vem de BH). É possível encontrar quadros a venda também expostos em hotéis, como acontece no saguão do hotel Solar da Ópera na rua Direita (atual Conde de Bobadela), onde vi um quadro maravilhoso do Wilson Vicente.

Espero que estes endereços sirvam pelo menos como um começo para quem vai buscar arte em Ouro Preto. Perguntando nestes lugares, certamente é possível encontrar muito mais.

Galeria Relicário 1800: www.relicario1800.art.br
Galeria Casa de Artes: www.casadeartesouropreto.com

Abraços,
Thiago Rulius

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ushuaia - Parque Nacional Tierra del Fuego


      Era o nosso ultimo dia completo de viagem. Apesar do dia feio, com chuva leve, partimos para o parque nacional Tierra Del Fuego, pois era isso ou deixar de conhecê-lo. Pegamos o transporte regular no mesmo local onde o ônibus nos deixou quando chegamos a Ushuaia. Na parte da manhã as partidas eram de hora em hora, e a volta as 13:00, 15:00 ou 17:00. Preço AR$85, para ida e volta. Seguimos na van das 10:00.


      Após um curto trajeto (o parque está próximo a cidade), paramos na portaria para ganhar um mapa e pagar a entrada (AR$60 para MERCOSUL). Seguimos de van até o inicio da senda costera, que beira o canal, onde começaríamos nossa caminhada.





      A trilha (senda costera) tem 8km, e só não pode ser considerada mais fácil devido a umidade elevada, que faz com que o caminho seja muito enlameado e algumas vezes escorregadio. O tempo para percorrê-lo é de 3 a 4 horas, sem pressa. É bastante bonito, com vista para as montanhas e o mar, com algumas praias surgindo no caminho. Na maior parte do tempo, o vento não incomoda. Existem alguns trechos gramados legais para descansar, com vista para a Bahia. O motorista da van nos avisou que poderíamos ver o zorro colorado, uma espécie de raposa, mas não tivemos essa sorte. No início da tarde já havíamos concluído a trilha.
      Fizemos um lanche rápido no centro de visitantes Alakush, onde funciona um mini museu do parque, e seguimos em direção as trilhas mais curtas do setor lapataia, já que lá, no fim da ruta 3 (que vem desde Buenos Aires) pegaríamos nosso transporte de retorno as 17:00. Estas trilhas (6 no total) são todas curtas, tendo apenas 1,5km a mais longa delas. Duas destas trilhas são atalhos para se chegar a baía lapataia, substituindo com vantagens a estrada, para quem está a pé. O mirante laguna verde também vale a pena, até porque está a poucos metros da estrada. As áreas de camping do setor lapataia, a beira da estrada, são bonitas, tem banheiros e não cobram (o único camping pago é o lago roca). Para quem pretende explorar bastante o parque, dormir uma noite por lá seria uma boa idéia, ou talvez duas, ficando uma noite no setor lapataia ou lago roca, e a outra nos campings mais próximos a portaria, para explorar as trilhas daquele setor.
      No fim de todo o passeio, enquanto aguardávamos a van das 17:00 para retornar a Ushuaia, sob frio intenso, exploramos as passarelas ao fim da ruta 3, com bonita vista da baía. A van demorou uma eternidade, mas finalmente apareceu e voltamos tranqüilos.




     A noite, fizemos nosso jantar de despedida no Bodegon Fueguino, onde havíamos jantado na primeira noite. Desta vez o restaurante estava vazio, e o abadejo com molho roquefort não estava tão gostoso como da outra vez.

Abraços
Thiago Rulius

Ushuaia - Passeio de barco


     Chegamos as 09:40 ao guichê no porto para o passeio de barco que sairia as 10:00 (havia opção também para o período da tarde). O pessoal que contratou o passeio foi chegando, e na hora da partida já haviam cerca de 15 pessoas. Pensei que o barco seguiria superlotado (pois disseram no dia anterior que seriam no máximo 10 ou 12 pessoas), mas dividiram o pessoal nos dois barcos, ficando o nosso com nove turistas (incluindo a gente) mais o capitão e o guia. Pagamos a taxa do porto e começamos o passeio com uns quinze minutos de atraso.
      OBS: Há uma placa com os dizeres “Ushuaia – Fin del Mundo” ali ao lado, onde sacamos algumas fotos legais.

      Como o mar de Ushuaia é apenas um canal, suas águas estavam bastante calmas, e permaneceram assim por todo o passeio. O vento também não era muito forte, assim podíamos ficar na área descoberta do iate numa boa. A equipe do barco (capitão e guia) eram muito cordiais e gente boa. Quanto a alimentação, durante as cerca de 03:30 de passeio nos ofereceram alfajores e cerveja artesanal. Para quem pedisse, havia café disponível.
      A primeira parada foi em uma ilhota repleta de cormorões (uma ave muito semelhante ao pingüim) e de leões marinhos de um pêlo, que segundo um guia (livro) da fauna da região atingem 350kg (machos) e 150kg (fêmeas). Como o barco é pequeno, foi possível aproximar muito da ilha para observar os animais. Bacana demais.
      Depois seguimos para a ilha do farol Les Eclaireurs. Nada demais, apenas um ponto para sacar fotos. Já voltando, passamos por uma ilha onde se encontravam os leões marinhos de dois pêlos, que só se encontram ali nesta época do ano e são bem menores que os leões de um pêlo, chegando “apenas” aos 150kg (machos) e 60kg (fêmeas). Mas eles tem uma característica que lhes deixam muito mais atrativos: como os golfinhos, eles seguem e nadam próximos ao barco, saltando de tempo em tempo. Alguns fizeram isso quando partimos, e foi sensacional! Os poucos minutos que passamos observando o comportamento destes animais também foi muito massa.
      OBS: na ida vimos uma ilha com vários ninhos de Cormorões, parecendo pequenos vulcões.




    Depois (e por ultimo), caminhamos um pouco nas ilhas Bridges. Não há nada para ver, e o sítio arqueológico que nos apresentam não passa de um buraco. Porém, a explicação do guia sobre os índios Yamana, nativos da região e que utilizavam aquela ilha como casa de passagem, é muito interessante e enriquece a parada (para aqueles que se interessam por este assunto). Estes índios viviam da caça dos leões marinhos, e navegavam entre as ilhas em pequenas jangadas. E viviam pelados naquele frio!
      Saindo da ilha, os caras do barco retiraram uma armadilha do mar, onde havia uma centolla capturada. Pudemos dar uma boa olhada no bicho que comeríamos mais tarde, uma espécie de caranguejo gigante espinhento.
      Seguimos de volta a Ushuaia, degustando uma cerveja artesanal servida no barco, e tirando boas fotos com uma bela vista da cidade, agora banhada de sol.
     A noite, seguimos para o escondido restaurante de pescados Chiko, indicado pelo pessoal do barco. Olhando da rua, a única coisa que se vê é a escadaria de acesso, já que o restaurante fica em um andar superior. O que o faz ser escondido é o fato de não ficar na movimentada Av. San Martin, e sim na calle Antartida Argentina, próxima ao presídio.
     Gostamos muito deste restaurante. Tinha um bom preço (um pouco mais barato que os restaurantes tabelados da Av. San Martin). Além disso oferecia três ou quatro pratos a base de contolla, o tal caranguejo gigante que vimos mais cedo, além de pratos de peixe e frutos do mar. Recomendo muito que vão a este restaurante ao menos para provar as empanadas (fritas) de marisco, deliciosas. É um bom lugar para tomar vinho também. O vinho da casa saía a apenas AR$30 a garrafa.

Abraços
Thiago Rulius